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sábado, 6 de fevereiro de 2016

O Mar sem poesia


Búzio do Mar

Praguejam pescadores: Ora esta, Ora esta;
O mar na praia é um tambor em festa!

Danado e rouco ele há lá quem o fateixe!
O mar não anda bom...
E som, e som, som-som,
Deita a fugir o peixe.

Meus patrícios, poveiros tal e qual
É a nobreza maior de Portugal!

Mesmo sou duma aldeia à beira-mar,
E ouço-o bem duas léguas em redol:
Meio ano a lavoirar,
Outro meio ao anzol!

Maus patrícios cada qual
Tem o seu bote que é o seu casal.

Mas o oceano, o mar, não anda bom:
Ondas são trambulhões, e trambulhões de som!

Ó mar, meu brutamontes,
Música, deixa ouvi-la da noitinha;
Eu quero ouvir o murmurar das fontes
Que a noite já se avizinha...

Afonso Duarte
Obras Completas, 1-Obra Poética, pág.39
Plátano Editora