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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

As Palavras


"AS PALAVRAS

O preço de uma pessoa vê-se na maneira como gosta de usar as palavras.
Lê-se nos olhos das pessoas. As palavras dançam nos olhos das pessoas
Conforme o palco dos olhos de cada um.


 
CENTENÁRIO DAS PALAVRAS
 
Todos os dias faz anos que foram inventadas as palavras.
É preciso festejar todos os dias o centenário das palavras."
 
 
Almada Negreiros, Obra Completa, pág.175/176
Editora Nova Aguilar
 
 
 
Myra Landau
                                                                           

domingo, 9 de dezembro de 2012

Sarah Affonso e Almada Negreiros


conversas com sarah affonso, um livro ( que veio da Livraria Lumière) muito interessante, em que Maria José Almada Negreiros, nora de Sarah Affonso e Almada Negreiros publica conversas informais com a sogra , como se de uma entrevista se tratasse.
Sarah Affonso fala de Almada  - o homem e o pintor - e da vida que partilharam, da época que viveram e também de alguns amigos com quem conviveram - nomeadamente Fernando Pessoa, Amadeu Sousa Cardoso, Santa Rita, Mário de Sá Carneiro...
Um livro que se lê com muito interesse, com histórias vividas e contadas na primeira pessoa.


 
 
"Lembrei-me de começar a gravar aquelas conversas mas não me dava muito jeito, - perante a naturalidade em que tudo decorria e com um interesse que talvez viesse dessa mesma naturalidade - que desse a impressão, que poderia ser ridícula, da nora a entrevistar a sogra. Recorri então a um gravador « clandestino ».
...Procurei, em todo o livro, manter a simplicidade com que foi ditado, respeitando escrupulosamente a gravação. De outro modo creio que não se justificaria porque ele só pode ter interesse na verdade que têm as coisas que são ditas sem estar a pensar na posteridade."
 
Maria José Almada Negreiros, na contra-capa do livro
 

 
Uma foto de Sarah Affonso Com Almada Negreiros
Uma, de várias que o livro apresenta
 
 
"Vinha cheio de esperança de Espanha e aqui não há entusiasmo por nada, não se acredita em nada.
- Aí é que está. As pessoas não acreditam, nem vibram, a não ser quando se trata de negociozinhos"
(pág.72 )
 
"Outra vez o médico disse-lhe « Almada, você já não está novo, devia fazer umas economias para a velhice » . - « Fazer economias!! Eu tenho tanta fé na minha estrela, a minha estrela que há-de brilhar ainda quando eu já cá não estiver » . (pág. 74)
 
"O José [...]Não se prendia pelo dinheiro, apesar de precisar de dinheiro como toda a gente. Tinha coragem demais para a vida.[...]era um homem sério. Um artista mais puro..." (pág. 76)
 
"- Não ligava à obra depois de feita?
- Ligava. « Este gostava de ficar com ele, gosto dele». Mas vinha alguém que também gostava e ele dava. Dava com muita facilidade e a toda a gente." 
 ( pág.80)
 
"- E não viste em Barcelona como é que eles tiravam os frescos dum lado para o outro, frescos de centenas de anos? Era muito engraçado! Colam umas sarapilheiras à superfície do fresco. Deixam secar a cola, e enrolam-se em rolo, despregando os frescos da parede. Para o pôr noutro sítio, põe-se massa na parede e deixa-se secar. Depois de estar seco, com água amolecem os panos e retiram-nos. A cola sai e o que fica é só a superfície intacta do fresco!
- E as cores não ficam estragadas com esses tratamentos?
- Não, porque as cores do fresco são as cores mais resistentes que existem. Aguentam o sol, a proximidade do mar, as centenas de anos, os calores dos vulcões." (pág.91)
 
"- «A alegria é a coisa mais séria da vida» dizia ele." (pág.97)
 
" O José era uma pessoa muito especial. Ele criava a sua atitude na vida, não era só fazer bem arte, era a própria vida, aperfeiçoava-se, e era duma generosidade e duma bondade!" (pág.116)
 
 
Citações retiradas do livro referido.
conversas com sara affonso, Maria José Almada Negreiros
Editora Arcádia
Edição Março de 1982