segunda-feira, 18 de maio de 2020

Cumpra-se a tradição!


Já cá está o manjerico deste ano!
É bonitinho.

                                                                               



                                                                       

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Brincadeiras


Canção da Ama

Quando as vozes dos ninos se ouvem no prado
E riso no monte há que ouvi-lo,
Está meu coração no peito em paz
E tudo o mais é tranquilo

Para casa meninos, já se pôs o sol
E o relento à noite vem
Vá vá finde o jogo, e recolhei logo
'Té nos céus ressurgir a manhã

Não não inda há jogo, é dia vos rogo
Não podemos ir dormir
O céu inda agita, o voo da avezita
E há ovelhas o monte a cobrir

Bem bem siga o jogo & até ao escuro logo
E então hão-de ir deitar
Os miúdos pularam & riram & gritaram
E os montes a ecoar

William Blake

                                                                           


quinta-feira, 14 de maio de 2020

Memórias

                                                                             
                                                                             




quinta-feira, 7 de maio de 2020

Alegrias do meu amanhecer


                                                                             

Amanhecer de Outubro


Amanhecer é o começo. É a luz que regressa. O calor. O sol.
Amanhecer é a vida que recomeça em cada dia.
Antigamente gostava da noite. Hoje não gosto. Gosto do amanhecer, gosto do dia, gosto da luz do sol.
O meu amanhecer tem sempre um agradecimento a Deus, à Vida, por mais um dia.
Mesmo (e principalmente ) nos dias de rabugice.
Gosto de ver o sol aparecer nas minhas janelas e da luz quente que se vai espalhando. É uma luz tão bonita!


terça-feira, 5 de maio de 2020

Dia Mundial da Língua Portuguesa


Ouvi há pouco, no intervalo das "minhas" aulas na TV, que hoje se festeja pela primeira vez o Dia Mundial da Língua Portuguesa. A 4ª língua mais falada, no mundo. Falada por cerca de 260 milhões de pessoas!



A minha Pátria é a Língua Portuguesa - Fernando Pessoa

Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie – nem sequer mental ou de sonho -, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida.
Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas. São frases sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida, esquecer-se de ribeiro em que as ondas se misturam e indefinem, tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas. Assim as ideias, as imagens, trémulas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de sedas esbatidas, onde um luar de ideia bruxuleia, malhado e confuso.
Não choro por nada que a vida traga ou leve. Há porém páginas de prosa que me têm feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noite em que, ainda criança, li pela primeira vez numa selecta o passo célebre de Vieira sobre o rei Salomão. “Fabricou Salomão um palácio…” E fui lendo, até ao fim, trémulo, confuso: depois rompi em lágrimas, felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquele movimento hierático da nossa clara língua majestosa, aquele exprimir das ideias nas palavras inevitáveis, correr de água porque há declive, aquele assombro vocálico em que os sons são cores ideais – tudo isso me toldou de instinto como uma grande emoção política. E, disse, chorei: hoje, relembrando, ainda choro. Não é – não – a saudade da infância de que não tenho saudades: é a saudade da emoção daquele momento, a mágoa de não poder já ler pela primeira vez aquela grande certeza sinfónica.
Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.
Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.

“Livro do Desassossego”, por Bernardo Soares. Vol. I, Fernando Pessoa





segunda-feira, 4 de maio de 2020

Intervalo: livros e decoração

Acho que ainda não coloquei aqui este video.
Adoro esta casa.