Acabei de ler uma pequena, mas interessante, biografia de Ferreira de Castro, de Judith Navarro.
Ferreira de Castro nasceu em Ossela, Oliveira de Azeméis, a 24 de Maio de 1898 e faleceu a 29 de Junho de 1974.
Partiu, com doze anos, para o Brasil, onde teve um percurso bastante difícil, trabalhando durante quatro anos no seringal Paraíso, antes de ter outros trabalhos precários.
O regresso a Portugal também não foi fácil e até começar a ser reconhecido como escritor, ainda passou tempos duros.
Desenho do escritor, da autoria de Orlando Silva
(Colecção de postais Catorze Escritores do Norte -
Desenhos à pena por Orlando da Silva)
"Ferreira de Castro foi, durante décadas o escritor português mais traduzido, escritor dum país periférico e isolado, sem influência nem projecção internacional – assim era o Portugal do século XX, que normalmente se destacava pelas más razões: pobreza, estado autoritário e policial, colonialismo. Ser publicado na maior parte das línguas cultas europeias, em grandes editoras como a Macmillan, a Viking, a Grasset, a Aguilar, entre outras, foi um feito assinalável, abrindo caminho para outros escritores portugueses. Reconhecimento internacional a que faltou o Prémio Nobel de Literatura, ao qual foi proposto em 1951 e em 1968, desta vez na companhia de Jorge Amado. Não obstante, ser-lhe-ia atribuído o Prémio Águia de Ouro de Festival do Livro de Nice, em 1970, por um júri muito relevante, na sua composição de escritores, presidido por Isaac Bashevis Singer, distinção à qual haviam sido propostos nomes de grande significado como Lawrence Durrell ou Konstantin Simonov. No ano seguinte, Castro teria o Prémio da Latinidade, instituído por André Malraux, na companhia de Jorge Amado e Eugenio Montale. Com o dinheiro destes galardões, Ferreira de Castro fez erigir uma biblioteca, nos Salgueiros, Ossela, sua terra natal.
Falecido em 29 de Junho de 1974, Ferreira de Castro repousa na Serra de Sintra, sob um banco talhado na rocha, numa vereda que conduz ao Castelo dos Mouros."
[...]
" Ficar para toda a eternidade integrado de corpo e alma na Natureza que lhe inspirara tantas páginas, era uma ideia que acalentara desde cedo. Assim, em 1970, fez o único pedido às autoridades do seu país: «Desejaria ficar sepultado à beira de uma dessas poéticas veredas que dão acesso ao Castelo dos Mouros sob as velhas árvores românticas que ali residem e tantas vezes contemplei com esta ideia no meu espírito. / Ficar perto dos homens, meus irmãos, e mais próximo da Lua e das estrelas, minhas amigas, tendo em frente a terra verde e o mar a perder de vista – o mar e a terra que tanto amei.» "
Retirado de: http://www.museuvirtual.cm-sintra.pt/mfc/patrono.HTM
O escritor ( numa ilustração do livro ) visto por Martins da Costa
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...que entretanto visitei!
Agora que já visitei o Museu Ferreira de Castro, posso completar este post com algumas fotos.
O museu é pequeno, mas muito interessante e a visita está muito bem documentada com um guia que nos é fornecido.
Livros em português e em todas as línguas para que foi traduzido, pinturas, originais das ilustrações dos livros, fotografias, documentos, dois manuscritos completos, objectos pessoais do escritor...
A visita termina com a visualização dum filme de 26 minutos, sobre a vida e obra do escritor, com alguns excertos com o próprio escritor.
Um pequeno museu, que quase passa despercebido, mas com muito interesse.
A visita é gratuita.
Escola de Ossela
Pintura de Elena Muriel
Se não conhece, Isabel, aconselho-a, vivamente, a que leia "A Selva" - vale a pena.
ResponderEliminarBom dia!
Está na minha eterna e infindável lista...bem como outros de Ferreira de Castro.
EliminarBoa tarde e obrigada, pela sugestão, que é mais um reforço par o ler.
Isabel,
ResponderEliminarVisitei a Casa-Museu de F. de Castro em Sintra há uns anos e adorei.
É muito acolhedora; um espaço agradável... e saber que o escritor viveu lá dá outro sabor à visita!
Fico contente com esta "descoberta" (vida e obra do autor).
Um beijinho e boas leituras.:))
Esta descoberta partiu da leitura do livro que veio da sua Lumière - a biografia. Depertou-me um grande interesse pelo escritor e pela sua obra, que conhecia pouco.
EliminarQuando li o livro fiz este post e deixei-o em stand by, com a esperança de conseguir ver o museu durante estes dias de férias e assim foi.
Não sei se o escritor viveu nesta casa...viveu em Sintra e foi lá sepultado, mas não sei se foi nesta casa...
"Acolhedor" é mesmo a palavra certa! Também achei e fiquei agradavelmente surpreendida com o museu - muito completo, muito interessante. Gostei muito.
Um beijinho e obrigada :)
Talvez a Cláudia tenha visitado o de Oliveira de Azeméis...esse foi uma casa onde Ferreira de Castro viveu.
EliminarQual visitou?
Uma bela reportagem sobre uma Casa-Museu que já visitei há uns anos. Tenho de lá voltar.
ResponderEliminarGostei muito!
EliminarNão referi, por esquecimento, que é em Sintra, porque há um outro, que não conheço, em Oliveira de Azeméis...
Boa tarde, MR:)
A de Oliveira de Azeméis tb não conheço.
EliminarBoa tarde!
:)
EliminarBoa noite:)
Gosto de Ferreira de Castro mas nunca li uma biografia dele.
ResponderEliminarA Casa dele em Sintra fica para outra altura.
Beijinhos. :))
O tempo passa tão depressa, que nunca conseguimos ver tudo...ainda bem, porque temos tantas e tantas coisas bonitas e interessantes para ver...
EliminarSintra é toda ela um monumento!
Um beijinho :)
Confesso o meu desconhecimento da obra de Ferreira de Castro.
ResponderEliminarAcredite que esta sua excelente reportagem despertou o meu interesse, tanto na sua obra como no museu e respectiva casa. Obrigada.
beijinho
Fê
Que bom! Fico feliz e de certeza que vai descobrir bons motivos de interesse na obra de Ferreira de Castro.
EliminarUm beijinho :)
Isabel, pelo que me consta, Ferreira de Castro viveu mesmo nessa casa, daí ser casa-museu. Ele gostava tanto de Sintra que os seus restos mortais encontram-se numa das encostas da serra...
ResponderEliminarA casa de Ossela nunca visitei. A que conheço é mesmo essa...
Um beijinho.:))
Obrigada por este seu esclarecimento. Assim não me restam dúvidas: ambas foram casas onde o escritor viveu.
EliminarSei que a sepultura de Ferreira de Castro fica na Serra de Sintra a caminho do Castelo dos Mouros.
Um beijinho e continuação de um bom dia de trabalho:)
Já passei à porta do Museu várias vezes e nunca lá entrei - terei de o fazer. Achei interessante o desejo dele de ficar sepultado na Serra de Sintra. Penso que deve ser um belo local de ficar para a eternidade. Bom dia!
ResponderEliminarVale a pena, pois é muito completo. Tem coisas interessantes. É um museu muito simpático.
EliminarEssa ideia de ficar sepultado na Serra faz todo o sentido na vida de Ferreira de Castro. Para mim também é a maneira mais natural de se terminar o nosso ciclo de seres humanos: voltar à Terra, a fazer parte da natureza.
Um bom dia para si, Margarida:)
Ferreira de Castro é uma das nossas glórias. O que mais me chegou, do pouco que li da sua vasta obra, foi A Curva da Estrada, romance que continua actualíssimo, há conflictos no ser humano sempre vigentes.( Por exemplo, acatar ou não acatar a nova ortografia... Eu estou-me a resistir muito, suponho que acabarei habituando-me, ou, como já sou velha, morrerei escrevendo como sempre fiz, já verei! )
ResponderEliminarBeijinhos
Não conheço "A curva da Estrada", mas hei-de ver se consigo arranjá-lo.
EliminarO novo acordo ortográfico para mim não devia existir. Vou continuar a escrever como sempre escrevi, mas na escola e contrariamente ao que penso, tenho que ensinar de acordo com o novo acordo. Para mim é uma violência.
Velha?!! Nem digas tal coisa! Uma jovem senhora, isso sim!
Um beijinho grande:)
Eu sou uma ignorante do bom que tenho por aqui perto...Tu vens e vês tudo - admiro-te (também) por isso: essa vontade de conhecimento, essa curiosidade maravilhosa pelas coisas da Arte e da Cultura!
ResponderEliminarLi Ferreira de Castro mais nova. Gostei. Há muito que o não leio. Um beijinho
Agora fez-me rir:)
EliminarA Maria João já conheceu tanta coisa por esse mundo fora, que acredito que não haja assim tanta coisa que a entusiasme e a surpreenda...
Eu, como conheço pouco mundo, fico feliz com tudo o que vou podendo descobrir por cá!
Sintra tem tanta coisa bonita!
Um beijinho grande :)
Eu já fui a Oliveira de Azeméis! e já li a Missão! e já leccionei no Agrupamento de Escolas Ferreira de Castro!
ResponderEliminarMas ainda não viste este museu...
EliminarParabéns, Isabel, por trazer aqui esta grande figura das letras por muitos ignorada. Estive na Biblioteca que julgo ser a que reporta mas não a conheço. Fui lá ao lançamento de uma obra, à noite e com chuva, de modo que não tive oportunidade de a conhecer como a apresenta.
ResponderEliminarObrigada, Agostinho. Ainda bem que gostou.
EliminarAs fotos que coloquei não são da biblioteca, mas do Museu Ferreira de Castro, em Sintra. Gostei muito deste Museu.
Uma boa noite para si:)