domingo, 26 de agosto de 2012

Solidão - Irene Lisboa


Foi no Blogue Sobre o Risco e com Manuel Poppe, que aprendi a beleza e a riqueza  da  escrita de Irene Lisboa.
Muito obrigada.


"Eu amarei a vida, talvez ao invés dos outros... Acho-a cheia de incoerências, pobre, madrasta, mas apesar disso vou esperando sempre...
Se eu ainda espero, se ainda tenho esta tenaz e incerta sensação de esperança, de desejo, é porque de todo não renego nem maldigo a vida.
Serei uma insatisfeita. Sim, a insatisfação é em mim uma espécie de espinho permanente." (pág.15)


                                                                              
"Como o tempo passa...ou por outra, como nós o deixamos gastar-se, tornar-se delgado e sem conteúdo!" ( pág.32)


                                                                              

"Mas aconteceu-me, como já me tinha acontecido, faltar-me o ar. Mas não é o ar que se respira, é o espaço!" (pág.48)


                                                                
                                                                             
"Falava-nos do prazer da companhia dos outros homens e ao mesmo tempo da solidão de cada espírito, que nunca encontra em outro o seu perfeito desdobramento, o seu complemento..." (pág.61)


                                                                                    

"Que limites tão estreitos tem o mundo! O mundo não é mais que quatro paredes, que se transportam connosco; um lugar sempre fechado. Oiço daqui o som das horas e só me admiro de que elas se vão sucedendo. É uma banalidade que me choca." (pág.73)


                                                                                   

"Doce solidão...Uma tranquilidade! Uma limpidez! A pura alma da manhã. Uma real harmonia pré-estabelecida. O espírito do bosque plasmava-se subtilmente com o nosso. O bosque vivia...e convidava-nos à simplicidade, à virginização." (pág.90)


                                                                                  

"Ia andando por aqueles caminhos a reprimir os soluços. Queria amar fosse o que fosse e enternecer-me. Queria oferecer a entes que me não repelissem a exalação daquela dor, do mal que sentia, mais suave que tumultuoso, mas tão amargo!


                                                                               
...Chorava por achar o mundo sem sentido...Chorava por mim, por estar triste, nem eu sei porquê!" (pág.96/97)


                                                                                  

"Somos uns náufragos! Naufragados, perdidos no tempo..." (pág.105)


                                                                               

"...Que escrever é exactamente isso, carregar no coração sem o violentar. Fazê-lo abrir!" (pág.135)


"Mas porquê este retorno desgraçado, esta moinha sem descanso do coração e do espírito? Fechar portas, quem pudesse! Passar e fechar portas, andar sempre para a frente. Era bom. (pág.191 )



As citações foram retiradas do livro Solidão, de Irene Lisboa
Portugália Editora


28 comentários:

  1. Isabel, é uma alegria imensa saber que levei alguém até à leitura da nossa maior escritora contemporânea -um génio indecentemente silenciado.

    A escolha das frases que cita, admirável e significativamente ilustradas, é estupenda.

    Um grande abraço!

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    1. Muito obrigada Manuel pela sua generosidade, pelas suas palavras e por me ter levado a ler esta escritora admirável (á estou a ler "Começa uma vida").
      Um beijinho grande e desejo-lhe um bom dia

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  2. o livro TODO deve ser muito bom, gostei e tbem das fotos.., sabe eu retirei o que tinha posto pqe achei triste demais...beijos querida Isabel

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    1. É muito bom sim Myra. É de uma grande escritora portuguesa.

      Não era triste, mas este que deixou é mais bonito.
      Um beijinho e bom domingo

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  3. Isabel querida! Gostei! O teu post é muito belo e a tua compreensão profunda desta escritora revela a tua sensibilidade, sempre à flor da pele.
    Imagens que são o espelho do que citas dela, tão doloroso. Lindas imagens!
    Boa leitura do Começa uma vida!
    Bom domingo e beijinhos

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    1. Que bom que gostou Maria João. Fico muito feliz com o que diz, porque também gostei muito do livro.
      Muito obrigada.
      Um beijinho grande e um bom domingo (para si e para o Manuel)

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  4. Gostei do que li. Vou procurar o livro por aqui.
    Bjos

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    1. Ainda bem que gostou Catarina. Se não encontrar este, talvez encontre outros dela.Oxalá encontre porque vale a pena conhecer.

      Um abraço e boa semana

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  5. Já passei, de longe, por esta sua casa virtual, mas nunca bati à porta. Hoje não pude deixar de o fazer, uma vez que Irene Lisboa é uma escritora e poeta de que também muito gosto, em especial do livro que cita.
    Sobre "Solidão", Luísa Dacosta, outra escritora de primeiríssima água e amiga de Irene Lisboa, escreveu: "E havia tanta originalidade naquele teu livro, ainda hoje, diário sem paralelo! Feito de apontamentos, de reflexões, conversas, cartas que não foram enviadas, queixas, queixas de mulher." e "E no entanto o teu confessionalismo não era nem confidente nem desbocado. Captava só o mais dramático, o mais fugidio, o quase indizível" (Luísa Dacosta, "Na água do tempo: Diário").

    Boas leituras!

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    1. Também já fui ver o seu blogue mais que uma vez, quando às vezes no blogue da UJM faz referência a alguma coisa que a Matéria dos Livros escreveu ou colocou. Gostei sempre do que li.

      Também já li o livro da Luísa Dacosta e gostei muito. Mas li-o há tantos anos. Pela data que pus no livro, comprei-o e li-o em Julho de 93. É uma edição de 1992 da Quimera. Nem me lembrava que o tinha e que o tinha lido.

      Muito obrigada pelo seu comentário e pela sua visita.
      Uma boa semana

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  6. Parabéns Isabel pelo seu belo post!.
    Gostei muito das citações que escolheu do livro "Solidão".
    Só uma pessoa de grande sensibilidade sente e vive dessa maneira a "sensibilidade" dos outros, como a Isabel o fez.
    Todos nós já sentimos a solidão, mas esta escritora define-a com tanta precisão que sentimo-la como se fosse de nós próprias."...Quem pudesse fechar portas e andar sempre para a frente..." etc.
    Este post está lindíssimo, e muito bem ilustrado com fotos a (nove dimensões) a dar uma sequência aos estádios de alma da escritora, quase real. Muito bom!
    Mais uma vez obrigada por esta partilha, neste Domingo.
    Um Beijinho

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    1. Muito obrigada Maria Eduardo por ter gostado.
      E fico muito contente por ver que mais pessoas com quem vou "conversando", gostam tanto de Irene Lisboa.

      Um beijinho e uma boa semana

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  7. ola vim ver o seu magnifico blog, estão lindos os posts como sempre, tive afastado da blogosfera mas voltei. vem ver os meus novos poemas por favor http://assombrado-mc.blogspot.com

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    1. Muito obrigada migalhas. Seja bem-vindo.
      Depois vou ver o seu blogue. Obrigada pelo convite.
      Boa semana

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  8. A Vida é, de todos os milagres, o mais espantoso.
    Um conjunto de fotos perfeito para ilustrar o texto de Irene Lisboa sobre o Homem, e a sua viagem na terra.

    Um beijo

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    1. Muito obrigada Lídia.
      O Homem e a sua viagem na terra, tão bem descrita por Irene Lisboa.

      Um beijo

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  9. Olá Isabel,

    Irene Lisboa era uma escritora de rara sensibilidade e uma mulher também múltipla, que escreveu com uns quantos pseudónimos, uma mulher incómoda no anterior regime. O seu Solidão é um livro sem tempo.

    Achei curiosas as fotografias que escolheu para juntar ao texto: uma grande árvore, de profundas raízes, uma grande árvore junto a um gradeamento. Acho que simboliza bem o espírito de Irene Lisboa ao escrever o seu Solidão.

    Gostei muito.

    Um beijinho, Isabel.

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    1. Muito obrigada UMJ, por gostar.

      Irene Lisboa deve ter sido uma mulher extraordinária e uma grande escritora que está infelizmente esquecida. Cheguei até ela , tal como a outros grandes escritores portugueses igualmente esquecidos, pela mão do meu amigo Manuel Poppe do Blogue Sobre o Risco (onde tenho aprendido imenso). É uma pena que não se divulguem e que as editoras não se interessem por estes nomes. As pessoas não os lêem porque não conhecem e quando se conhecem, muitas vezes não se encontram os seus livros.

      Da Irene Lisboa comecei a ler "Começa uma vida" escrito sob o pseudónimo de João Falco.

      Um beijinho e obrigada UJM

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  10. Passemos nós por elas,
    já que nossa vida se chama estrada.

    Que a vida não nos atravesse,
    nos pondo do lado direito ou do esquerdo da rua.

    Passe por ela,
    como as nuvens,
    a fazer chuva em outro canto do mundo.

    bjs meus amiga,

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    1. Lindo.

      E é pela estrada que temos que caminhar e não fora dela, à margem da vida.
      Sempre caminhando.

      Um beijinho especial

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  11. Irene Lisboa, um dos grandes nomes da nossa literatura.
    Ainda vai sendo lida, mas a procura fica muito aquém do que esta escritora merece.
    Já foi capa de um dos catálogos da Lumière...

    Isabel, existe perfeita harmonia entre os excertos de Irene Lisboa sobre a solidão, a árvore com as suas raízes e ramos e o gradeamento. Este post está repleto de simbolismo.
    Excelente combinação.

    Beijinhos.:)

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    1. Muito obrigada Cláudia, por gostar.
      Ainda bem que Irene Lisboa vai sendo procurada e felizmente que a Cláudia sempre nos descobre o livrinho que lhe pedimos. É bom, porque doutra maneira não conseguimos ler muitos autores, que não se encontram.

      Um beijinho e uma boa semana

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  12. Lembro-me de Irene Lisboa de livros da infância. Outros escritos não conhecia, confesso. Com os excertos que transcreveu, fico com vontade de ler a obra inteira e mais - quem sabe?!

    Boa semana. :)

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    1. Tem muito mais obra que para a infância. Eu também estou a ler mais, porque este livro deixou-me essa vontade.
      Ainda bem que gostou.

      Um abraço

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  13. Acho que Irene Lisboa é uma escritora para ser já com uma "certa" idade. :)
    Eu também li os livros dela ditos para a infância, mas não gostei na altura. Voltei a lê-la as 40 anos e gostei, é outra coisa.
    Isabel, acha que os miúdos gostam (ou gostavam) dos livros dela?

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    1. Não me lembro se li algum livro dela, dos tais ditos para a infância e juventude. O título "Uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma", não me é estranho. Talvez até já o tenha lido, mas não me lembro. Na verdade eu só agora prestei verdadeira atenção ao nome de Irene Lisboa, porque este primeiro livro que li me agradou. Talvez tenha mesmo a ver com a idade. E tenho vontade de ler mais.

      Já que me faz essa pergunta, vou tentar ler alguma coisa para a juventude e infância, e depois ainda conversaremos. Fiquei com vontade de os conhecer.

      Boa tarde!

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  14. Um post muito bem conseguido.
    Parabéns, Isabel!

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    1. Muito obrigada AC
      Fico contente que tenha gostado
      Um abraço

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