quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Bom Ano Lectivo

Amanhã (dia 15) inicia-se mais um ano lectivo,  com as mesmas expectactivas de sempre, as mesmas alegrias, os mesmos receios...
Os alunos por uns motivos, os professores por outros.
Todos sabemos como o ensino tem andado maltratado nos últimos anos.
Mas duma coisa tenho a certeza: os professores querem o melhor para os seus alunos e trabalham (muito) para isso.



Queria colocar um post sobre o começo do ano lectivo e li no blogue http://searasdeversos.blogspot.com/
o belo poema que a seguir transcrevo e com o qual me identifiquei.
Agradeço à autora, Lídia Borges, que mo emprestou.
 Muito obrigada.



Poema

Uma sala de aulas, a vida.
Não aquela na serra nem a outra junto ao rio
Não a do outeiro entre flores plantada
Ou a do soalho roto e paredes assoladas.
Não a de vidros partidos e janelas por pintar
Ou a outra onde o sol tanto gostava de entrar.

Não a nova na cidade ou a da aldeia, pequenina.
Não a de hoje ou a de outrora
Apenas a sala onde entro agora
Através de uma porta à entrada da memória.

Já não sei de que lado o meu lugar
À frente ou atrás da secretária
Quem me diz onde me devo sentar?

Há cantigas de roda e jogos para jogar
Um pião, uma corda, um chão para semear.

Há uma sineta que soa, uma história de encantar
Fadas, duendes, anões, tantos sonhos p´ra sonhar
E um saco de respostas p´ra quem quiser perguntar

Há uma estrela sorrindo no alto de uma janela
E um sol quase a nascer brilhando juntinho dela.

Dentro de uma sala de aula
De crianças povoada é que sei o meu viver
Do lado de fora quase nada
O que tenho a ensinar, o que tenho a aprender.


Lídia Borges



Antigamente era assim...
                                                                                   
                                                                                  





                                                                     

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

José Régio - Libertação

Libertação

Menino doido, olhei em roda, e vi-me
Fechado e só na grande sala escura.
(Abrir a porta, além de ser um crime,
Era impossível para a minha altura...)

Como passar o tempo?...E diverti-me
Desta maneira trágica e segura:
Pegando em mim, rasguei-me, abri, parti-me,
Desfiz trapos, arames, serradura...

Ah, meu menino histérico e precoce!
Tu, sim!, que tens mãos trágicas de posse,
E tens a inquietação da descoberta!

O menino, por fim, tombou cansado;
O seu boneco aí jaz esfarelado...
E eu acho, nem sei como, a porta aberta!


Retirado de Cântico Negro, José Régio, pág.28
edições quasi





Este poema faz parte do CD Caderno de Afectos de Francisco Ceia, cujas letras são, todas, poemas de José Régio


Um CD que quanto mais se ouve, mais se aprecia...

                                                                              

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Bom dia!

"Um dia sem riso é um dia desperdiçado."

                             Charlie Chaplin

                                                                                

                                                                                                                                            
                                                                               

Dois lobos

Tenho ideia de já ter visto este pequeno diálogo circulando por mail.
Agora chegou-me às mãos, escrito num saco de papel da Natura ( passe a publicidade ).
Acho-o bonito e por isso aqui fica.
Não tem identificação do autor.


"Um velho índio estava a falar com o seu neto e contava-lhe:

- Sinto-me como se tivesse dois lobos lutando no meu coração.
Um é um lobo irritado, violento e vingativo.
O outro está cheio de amor e compaixão.

O neto perguntou:

- Avô, diga-me, qual dos dois ganhará a luta no seu coração?

O avô respondeu:

- Aquele que eu alimente."


                                                                              

                                                                       

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Urban Sketchers em Castelo Branco

Não sabia o que são Urban Sketchers.

Li na Reconquista, um jornal local, que ia haver  em Castelo Branco  uma concentração destes desenhadores (acontecimento que se repete pela 2ª vez).

Fui ao local do encontro final, para ver os desenhos feitos durante o dia, mas com muita pena minha o encontro estava atrasado e não pude esperar.

Os Urban Sketchers são desenhadores que registam através dos seus desenhos as memórias diárias.
Têm cadernos que são os seus diários gráficos.

"...vai-se tornando cada vez mais normal vê-los com o seu caderninho nas mais diversas situações. No café, na rua, nos transportes públicos, nas reuniões...e tudo ali fica registado através da imagem." (retirado do jornal Reconquista de 8 de Setembro de 2011, última página)

Fiquei com imensa vontade de experimentar.
Já tenho um caderno bonito. Vou sair por aí e começar a desenhar.
Mas ...falta-me o talento!
A ver vamos...

                                                                                   

                                                                                    
Os dois desenhos que coloquei a seguir, são um exemplo do trabalho de um desenhador e representam dois pontos em  Castelo Branco.
Fui buscá-los ao blogue desenhador do quotidiano,   http://diario-grafico.blogspot.com/    e foram publicados por Eduardo Salavisa, em 23 de Março de 2011.




Praça Camões (antiga Praça Velha)
Castelo Branco



Rua dos Paleteiros
Castelo Branco


São lindos!


Um dia destes quem sabe, trago aqui um desenhito meu...


                                                                           

Leonardo da Vinci /Alexander Search

Leonardo da Vinci - Estudos e esboços de obras





Homens de Ciência

Labutando contra o tempo e contra a sorte
Gastando contra o Erro mais que a vida,
Buscando o todo, a verdade perseguida
Alheios à fé, à miséria e até à morte -

Haverá coisa mais nobre no viver
Que lutar p´ra fazer luz da escuridão
E ao partir deixar, sangrando a mão,
Aos mais fracos um caminho a percorrer?

O vago mundo outro, atravessado,
A Natureza estudada com saber
P´ra que possa um gesto sábio e avisado

Fazer melhor, mais clara a realidade.
Oh, com que alegria e amor posso entender
Almas que anseiam por luz e por verdade.


Retirado de Poesia, Alexander Search, pág.129
Assírio & Alvim


domingo, 11 de setembro de 2011

A Morte - Maria Filomena Mónica

,
Acabei de ler A Morte, de Maria Filomena Mónica, um pequeno livro de cerca de 80 páginas que aborda questões como o testamento vital, o suicídio assistido e a eutanásia e a falta de legislação sobre os mesmos.
Não são temas fáceis e se há quem nem sequer queira ouvir falar deles e pense que a vida tem que ser vivida até ao último momento sem outra possibilidade de escolha, independentemente do estado de saúde e do sofrimento que pode levar alguém duma forma consciente a querer abreviar o fim, também há quem pense de outra forma.
 Eu fui criada na religião católica e sou um pessoa de fé, mas penso que como pessoa individual tenho o meu direito de escolha.
 Se fosse caso disso  gostaria de ser eu a poder escolher o que só a mim afectaria.
Porque é que outros decidiriam por mim que eu tenho que continuar em sofrimento, se as dores são minhas?
Porque decidiriam que devo continuar a vegetar se a vida que não é vivida é a minha?
Porque decidiriam que tenho que estar imobilizada numa cama para sempre, se quem não pode correr, amar, viver...sou eu?
Se fosse caso disso gostaria de ser eu a escolher o que a mim diz respeito.
Não são assuntos pacíficos e concordo em absoluto que não são leis que possam ser elaboradas de forma fácil.
O livro é muito interessante  para quem  se queira  debruçar sobre o assunto ou já teve dúvidas a este respeito.


Relacionados com este tema li dois livros que falam de casos reais, Cartas do inferno de Ramón Sampedro (referido no livro de MFM) e Ainda Alice de Lisa Genova. O primeiro contado na primeira pessoa e o segundo na terceira pessoa. Ambos muito interessantes e que nos levam a reflectir sobre o assunto.

                                                                              

Deth and Life,  Gustav Klimt


"...os médicos (...) estão numa situação cada vez mais difícil: tanto são criticados por terem optado pela «obstinação terapêutica» como por terem «desligado a máquina» antes de tempo. A sua  inclinação (...) é prolongar a vida dos doentes ao máximo, o que nem sempre é positivo. Enclausurados em corpos demasiado frágeis para se poderem exprimir, pode acontecer que aos doentes terminais esteja a ser negada a possibilidade de morrer naturalmente, o que é tanto mais grave quanto tudo se passa fora do escrutínio das famílias." (pág.31)


"Admito que há doentes que se resignam a enfrentar dores horríveis. Respeito a sua opção." (pág.36)


...e com algum humor Maria Filomena Mónica diz:


"...até disse que a idade «madura» me parecia a melhor coisa do mundo. Depois fui-me apercebendo de que, se há coisas boas na velhice, as más as ultrapassam de longe.
(...)
Quando me viram de canadianas, as velhotas do meu bairro meteram conversa. Detectei logo nas suas palavras, uma peculiar mistura de sadismo e compaixão. A vizinha apressada - eu - passara a fazer parte das inválidas." (pág.54/55)


As citações foram retiradas de A Morte, Maria Filomena Mónica
Fundação Francisco Manuel dos Santos/Relógio D´Água Editores