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domingo, 8 de dezembro de 2013

Prece


 Avè Maria! 

No sino da freguesia
Três badaladas ouvi;
Sobre a terra húmida e fria,
De joelhos mesmo aqui,
Oremos, que é findo o dia,
          Avè Maria!

Descendo da serrania
Já o pastor ao curral
Os fartos rebanhos guia:
De abundância ao de hoje igual,
Dai-lhe amanhã outro dia,
          Virgem Maria!


A mãi, que o filho cria,
já no berço o vai deitar:
Um sono tranquilo envia
Sôbre o seu teto poisar
Até ao romper do dia,
          Virgem Maria!

Não deixes a ventania
As negras asas abrir;
No p'rigo o nauta desvia,
Dá-lhe uma estrêla a luzir,
Como luz o sol do dia,
          Virgem Maria!

Ao triste manda alegria,
Ao que tem fome dá pão,
A quem tem nome injuria
Dá sincera contrição
Antes do extremo dia,
          Virgem Maria!

Ao moribundo abrevia
As horas de padecer;
Livra-o de grande agonia;
Leva-o, depois de morrer,
Ao mundo do eterno dia,
          Virgem Maria!

Francisco Palha (1826-1890), Poesias Religiosas da Língua Portuguesa , pág.55/56
Guimarães Editora

                                                                          
 
A Imaculada Conceição
Giambatistta Tiepolo (1696-1770)