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sábado, 12 de janeiro de 2013

Felicidade

 
Horas Boas
 
Minha alma hoje acordou alegre e bem disposta:
Como o dia está lindo, e como é bom viver!
Viver! Ter na alma a luz, que vai doirando a encosta,
Senti-la fresca e moça, igual a um malmequer!
Viver é amar a vida: eu vivo esta manhã,
Sinto gorgear em mim não sei que rouxinol;
Inunda-me a alegria inexplicável, sã,
Como aos cravos em Junho, a luz viva do sol.
Pela janela aberta entra o cheiro dos fenos,
Que vão cortando à mão segadores morenos,
De gesto sacudido e vozes varonis;
Oiço cantar um melro, oiço o chiar da nora,
E dão-me tentações de ir pelo campo fora,
Saltando aqui, além, como um pardal feliz.
 
 
Maria da Cunha
Antologia Da Poesia Feminina Portuguesa, António Salvado, pág.143
Edições JF