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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Ferreira de Castro


     Acabei de ler uma pequena, mas interessante, biografia de Ferreira de Castro, de Judith Navarro.

     Ferreira de Castro nasceu em Ossela, Oliveira de Azeméis, a 24 de Maio de 1898 e faleceu a 29 de Junho de 1974.
     Partiu, com doze anos, para o Brasil, onde teve um percurso bastante difícil, trabalhando durante quatro anos no seringal Paraíso, antes de ter outros trabalhos precários.

     O regresso a Portugal também não foi fácil e até começar a ser reconhecido como escritor, ainda passou tempos duros.
    
                                 
 
Desenho do escritor, da autoria de Orlando Silva
(Colecção de postais Catorze Escritores do Norte -
Desenhos à pena por Orlando da Silva)
 
 
 
A biografia levou-me a pesquisar um pouco mais na Net...
  
     "Ferreira de Castro foi, durante décadas o escritor português mais traduzido, escritor dum país periférico e isolado, sem influência nem projecção internacional – assim era o Portugal do século XX, que normalmente se destacava pelas más razões: pobreza, estado autoritário e policial, colonialismo. Ser publicado na maior parte das línguas cultas europeias, em grandes editoras como a Macmillan, a Viking, a Grasset, a Aguilar, entre outras, foi um feito assinalável, abrindo caminho para outros escritores portugueses. Reconhecimento internacional a que faltou o Prémio Nobel de Literatura, ao qual foi proposto em 1951 e em 1968, desta vez na companhia de Jorge Amado. Não obstante, ser-lhe-ia atribuído o Prémio Águia de Ouro de Festival do Livro de Nice, em 1970, por um júri muito relevante, na sua composição de escritores, presidido por Isaac Bashevis Singer, distinção à qual haviam sido propostos nomes de grande significado como Lawrence Durrell ou Konstantin Simonov. No ano seguinte, Castro teria o Prémio da Latinidade, instituído por André Malraux, na companhia de Jorge Amado e Eugenio Montale. Com o dinheiro destes galardões, Ferreira de Castro fez erigir uma biblioteca, nos Salgueiros, Ossela, sua terra natal.
     Falecido em 29 de Junho de 1974, Ferreira de Castro repousa na Serra de Sintra, sob um banco talhado na rocha, numa vereda que conduz ao Castelo dos Mouros."

[...]

  " Ficar para toda a eternidade integrado de corpo e alma na Natureza que lhe inspirara tantas páginas, era uma ideia que acalentara desde cedo. Assim, em 1970, fez o único pedido às autoridades do seu país: «Desejaria ficar sepultado à beira de uma dessas poéticas veredas que dão acesso ao Castelo dos Mouros sob as velhas árvores românticas que ali residem e tantas vezes contemplei com esta ideia no meu espírito. / Ficar perto dos homens, meus irmãos, e mais próximo da Lua e das estrelas, minhas amigas, tendo em frente a terra verde e o mar a perder de vista – o mar e a terra que tanto amei.» "

Retirado de:  http://www.museuvirtual.cm-sintra.pt/mfc/patrono.HTM

                                                                                        
 
O escritor ( numa ilustração do livro ) visto por Martins da Costa
 
 
 
Ficou a vontade de visitar o Museu Ferreira de Castro, em Sintra...



                                                          ***************

...que entretanto visitei!


Agora que já visitei o Museu Ferreira de Castro, posso completar este post com algumas fotos.
O museu é pequeno, mas muito  interessante e a visita está muito bem documentada com um guia que nos é fornecido.

Livros em português e em todas as línguas para que foi traduzido, pinturas, originais das ilustrações dos livros, fotografias, documentos, dois manuscritos completos, objectos pessoais do escritor...

A visita termina com a visualização dum filme de 26 minutos, sobre a vida e obra do escritor, com alguns excertos com o próprio escritor.

Um pequeno museu, que quase passa despercebido, mas com muito interesse.
A visita é gratuita.

                                                                                  









 
 

 
Escola de Ossela
Pintura de Elena Muriel