A noite inteira já não chega.
Nenhum silêncio nos consola
de ver o rio por uma nesga
entre o cimento feito esmola.
Quando a cidade nos derrota
dói de saudade o verbo ir
como se o rio viesse à porta
com suas velas de partir.
E de mãos dadas não partimos
presos na margem de estar cá.
Só um no outro descobrimos
o horizonte que não há.
A Noite Inteira Já Não Chega, Rosa Lobato de Faria, pág.46
Guimarães/ Babel
É uma edição muito bonita, de Dezembro de 2012, que reune poesia de Rosa Lobato de Faria de 1983 a 2010.
O livro inclui ainda recepção crítica de João Conde Veiga, João Gaspar Simões e Luís Forjaz Trigueiros a Os Deuses de Pedra, 1983 e Memória do Corpo, 1992, respectivamente.

