domingo, 22 de abril de 2012

Convívio sereno

O gato e as pombas.


                                                                           

Artesanato








                                                                                  

sábado, 21 de abril de 2012

Timidez

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...

- mas só esse eu não farei.

Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...

- palavra que não direi.

Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos nocturnos,

- que amargamente inventei.

E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...

- e um dia me acabarei.


Cecília Meireles


                                                                                     

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Florbela

Fui ver, ao Cine-Teatro Avenida, Florbela de Vicente Alves do Ó.
Adorei o filme e para enriquecer a noite de cinema, a presença do realizador, que com disponibilidade e simpatia  respondeu a um número  razoável de perguntas, colocadas por alguns espectadores.
Foi uma sessão de cinema muito interessante.



" Num Portugal atordoado pelo fim da I República, Florbela (Dalila Carmo) separa-se de forma violenta de António ( José Neves). Apaixonada por Mário Lage (Albano Gerónimo), refugia-se num novo casamento para encontrar estabilidade e escrever, mas a vida de esposa de província não é conciliável com sua alma inquieta. Não consegue escrever nem amar. Ao receber uma carta do irmão Apeles (Ivo Canelas), oficial da Aviação Naval e de licença em Lisboa, Florbela corre em busca de inspiração perto da elite literária que fervilha na capital. Na cumplicidade do irmão aviador, Florbela procura um sopro em cada esquina: amantes, revoltas populares, festas de foxtrot e o Tejo que em breve verá o irmão partir num hidroavião. O marido tenta resgatá-la para a normalidade, mas como dar norte a quem tem sede de infinito? Entre a realidade e o sonho, os poemas surgem quando o tempo pára. Nesse imaginário febril de Florbela, neva dentro de casa, esvoaçam folhas na sala, panteras ganham vida e apenas os seus poemas a mantêm sã. Por isso, Florbela tem que escrever! Este filme é o retrato intímo de Florbela Espanca: não de toda a sua vida cheia de sofrimento, mas de um momento no tempo, em busca de inspiração, uma mulher que viveu de forma intensa e não conseguiu amar docemente."


Retirado da agenda cultural da Câmara municipal de Castelo Branco


                                                                               



         Os Versos Que Te Fiz


Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem para te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim para te oferecer.

Têm dolência de veludo caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!


Sonetos, Florbela Espanca, pág.63
europa-américa

terça-feira, 17 de abril de 2012

Onde quer que eu esteja

Onde quer que eu esteja, em qualquer lugar
na Terra, escondo dos outros a certeza de
que  n ã o s o u d a q u i.
Como se tivesse sido enviado para absorver
o máximo das cores, sons, cheiros, sabores,
provar de tudo o que é
reservado ao Homem, converter o vivido
num registo mágico e levá-lo para lá, de onde
parti.


Czeslaw Milosz

Alguns gostam de poesia - Antologia
Czeslaw Milosz e Wislawa Szymborska, pág.97
cavalo de ferro




Myra Landau
                                                                                

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Arte Indígena Australiana - Exposição na Sala da Nora em Castelo Branco

" A arte indígena australiana é possivelmente a mais antiga do mundo. Séculos antes da colonização europeia. o povo indígena australiano utilizava já várias formas de arte, como a escultura, a talha em madeira, as pinturas corporais, a pintura em casca de árvore e, claro, as pinturas rupestres. Uma pintura recentemente descoberta numa gruta no norte da Austrália mostra uma grande ave da espécie GEN YORNIS - extinta há mais de 40000 anos.
(...)
...a arte indígena australiana não é concebida a partir de um tema perceptível, não se aplicando tão-pouco a ela a noção ocidental de estética, nem o desejo do artista de comunicar emoções, pensamentos, observações ou comentários de uma forma individual. Segundo a tradição indígena, um artista apenas está autorizado a retratar as imagens e as histórias às quais tem direito pelo nascimento, descrevendo imagens enraízadas no conceito conhecido como "Sonho" [Dreamtime ou Dreaming], que se refere a uma era sagrada em que os espíritos ancestrais criaram o mundo e constitui um elo com os seus antepassados.

As Ilhas do Estreito de Torres formam uma parte integral, porém distinta da cultura indígena australiana, incluindo-se os artistas que integram esta mostra - Alick Tipoti, Dennis Nona, Solomon Booth e Victor Motiop - entre os mais imaginativos e estilisticamente estimulantes de uma jovem geração de criadores.(...) "


Retirado da Agenda Cultural da Câmara Municipal de Castelo Branco










A exposição está patente ao público até dia 29 de Abril.
Vale uma visita.
                                                                         

sábado, 14 de abril de 2012

Comprar português...

Recebi ontem este video, por mail.
Achei curioso e tive vontade de o partilhar.
Sem mais palavras!