Quando Deus Fala
[...] Vai, era um dia de festa,
O Mestre deu uma ceia.
E, como sabia tudo,
Profetizou
Que um deles o entregaria,
E que outro o renegaria,
E que ele seria preso,
Injuriado,
Cuspido,
Despido,
Azorragado,
Arrastado pelas ruas,
E, por fim, crucificado.
Até que ao terceiro dia,
Reviveria
Pelos séculos dos séculos sem fim ressuscitado.
O que falando, partiu
Do seu pão e do seu vinho.
E disse:
«Eis o meu corpo: comei!
Eis o meu sangue: bebei!»
Todos comeram,
Beberam,
Sem o compreenderem bem.
E o Mestre baixou a cara...
E o homem que o entregara
Comeu e bebeu também. [...]
José Régio,
Poesia I, pág.276/277
INCM