quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Curiosidade
Menino
A folha de árvore
que rola.
A névoa fria
que se evola.
O veio de água
fino e verde.
A cantilena
que se perde.
O cão vadio
que nos olha
e nos entende...
A isto o menino,
sério, atende
ao ir p'r'a escola.
Saúl Dias
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Dois filmes de Yasujiro Ozu
Amanhã no Cine-Teatro Avenida, O Gosto do Saké e no próximo dia 21 de Novembro, Viagem a Tóquio; ambos de Yasujiro Ozu.
domingo, 3 de novembro de 2013
Aldeias da Serra
"Aventuras e experiências mágicas aguardam por nós nas Aldeias de Montanha dos vales do sudoeste da Serra da Estrela, portas privilegiadas para conhecer não só a sua paisagem natural como também a sua rica paisagem cultural, reflexo do modus vivendi do Homem da Montanha, criador de um multi-sistema de vida, secular, com o qual ainda hoje podemos tomar contacto e que nos proporciona a vivência de factores vitais da nossa essência como seres humanos.
Cada uma destas comunidades com os seus «Guardiões da Aldeia», «Caminhos da Montanha» e «Sabores da Montanha», está pronta a desvendar-lhe a Serra da Estrela que nunca conheceu."
(Retirado da badana da contracapa)
Da pág. 87, no Imaginário e Tradições da Teixeira as quadras seguintes, que se cantavam no S. João, junto à fogueira de rosmaninho:
S. João para ver as moças
Fez uma fonte de prata
As moças não vão a ela
S. João todo se mata
S. João para ver as moças
Fez uma fonte de pedra
As moças não vão a ela
S. João todo se pela
No altar de S. João
Nasceu uma linda flor
Era S. João Batista
Primo de Nosso Senhor
No altar de S. João
Nasceu uma cerejeira
Qual seria o atrevido
Que lhe colheu a primeira
Lá em baixo vem S. João
Se lá vem deixai-o vir
Ai ele é menino e moço
Ó ai vai ao céu e torna a vir
sábado, 2 de novembro de 2013
?
Panorama
Em cima é a lua.
no meio, é a nuvem,
embaixo, é o mar.
Sem asa nenhuma
sem vela nenhuma,
para me salvar.
Ao longe, são noites,
de perto, são noites,
quem se há de chamar?
Já dormiram todos,
não acordam outros...
Água. Vento. Luar.
O trilho da terra
para onde é que leva,
luz do meu olhar?
Que abismos aéreos
de reinos aéreos
para visitar!
Na beira do mundo,
do sono do mundo
me quero livrar.
E em cima - é a lua,
no meio - é a nuvem.
e embaixo - é o mar!
Cecília Meireles
Em cima é a lua.
no meio, é a nuvem,
embaixo, é o mar.
Sem asa nenhuma
sem vela nenhuma,
para me salvar.
Ao longe, são noites,
de perto, são noites,
quem se há de chamar?
Já dormiram todos,
não acordam outros...
Água. Vento. Luar.
O trilho da terra
para onde é que leva,
luz do meu olhar?
Que abismos aéreos
de reinos aéreos
para visitar!
Na beira do mundo,
do sono do mundo
me quero livrar.
E em cima - é a lua,
no meio - é a nuvem.
e embaixo - é o mar!
Cecília Meireles
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Instantes
Sempre gostei de espanta-espíritos e móbiles.
A leveza do móbil que se agita com o vento
ou a delicadeza dum breve instante musical...
Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço.
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.
Cecília Meireles
domingo, 27 de outubro de 2013
Manjericos
Ainda ali está na janela da sala, olhando para a rua, o meu manjerico. A apanhar um sol que consola.
Nunca tive nenhum que durasse tanto.
Velhinho, mas gosto de o lá ver.
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