"Ilustração no Masculino é uma mostra que visa ser uma homenagem à Mãe, tem como o nome indica, a particularidade de todas as obras serem elaboradas por homens.
A par do escritor, o ilustrador assume um papel de igual importância na realização do livro. Desta forma, esta mostra com cerca de 100 obras tem como objectivo dar voz à ilustração que começou há relativamente pouco tempo a ter força de expressão no nosso país. Pretende valorizar esta arte, compreender a sua importância, desvendar os seus múltiplos significados, conhecer a sua capacidade de criar cumplicidades com a linguagem escrita e, ambas, estabelecerem laços significativos de complementaridade, num diálogo balançado de intertextualidade.(...)"
Retirado do folheto da exposição
Cada ilustrador foi convidado a ilustrar, com três imagens, o conto "A minha mãe é a mulher mais bela do mundo", um conto tradicional russo.
Os autores das ilustrações são: Alex Gozblau, Alain Gonçalves, Francisco Cunha, Paulo Marques, Gastão Travado, Pedro Leitão, Alfredo Martins, João Fanha, Pedro Morais, Álvaro Pecegueiro, João Madureira, Pedro Pires, André da Loba, João Mascarenhas, Pedro Rodrigo Costa, André Letria, José Abrantes, Pedro Salgado, Bernardo Carvalho, José Cardoso Marques, Pedro Sarapicos, Bruno Balegas, José Emidio, Pierre Pratt, Carlos Campos, José Saraiva, Richard Câmara, César Évora, Júlio Vanzeller, Rui Castro, César Figueiredo, Luís Henriques, Tiago Albuquerque, Daniel Silvestre, Marc Parchaw, Emerenciano Rodrigues e Paulo Galindro.
Os desenhos são todos um encanto. Alguns agradaram-me mais que outros, mas todos eles são muito bonitos.
A exposição estará patente ao público até dia 30 de Março, na Biblioteca Municipal de Castelo Branco.
As ilustrações foram retiradas do cartaz da exposição.
Conto tradicional russo que deu origem às ilustrações
A mulher mais bela do mundo
Era uma vez uma menina que se chamava Olguita.
Olguita estava sentada à porta de uma casa, lavada em lágrimas.
Ela chorava, chorava, chorava...
A dada altura, as pessoas que passavam pararam e perguntaram-lhe:
- "Porque choras menina?"
Ela respondeu-lhes: - "Porque perdi a minha mãe."
E as pessoas da aldeia insistiram: -"Mas como se chama a tua mãe?"
- "Chama-se mãe!", respondeu-lhes.
- "Mas onde é que ela vive? Onde é que tu vives?", tornaram elas.
- "Eu vivo na minha casa!"
Já ninguém sabia o que havia de fazer. Mas ainda assim, voltaram a perguntar-lhe:
-"Com quem se parece ela? como é a sua cara? Podes descrever a tua mãe?"
-"Oh! A minha mãe é a mulher mais bela do mundo", disse a menina.
Foi então que decidiram trazer todas as jovens mães da aldeia à presença de Olguita.
-"Não, esta não é a minha mãe. Não, esta também não é. E aquela também não!"
E recomeçou a chorar.
Subitamente, uma mulher de avental apareceu do outro lado da rua. Era uma mulher muito, muito gorda, de cara redonda e anafada, com uns olhos que brilhavam de alegria.
Logo que viu a filha, correu para junto dela e exclamou:
-"Minha filhinha, minha pequena Olguita!"
E a menina saltou para o colo da mulher, abraçou-a e, virando-se para as pessoas da aldeia, disse:
-"Vêem, esta é a minha mãe, a mulher mais bela do mundo!"
E como gostei da exposição e da história que lhe deu origem, li a mesma na escola e pedi aos alunos que a ilustrassem com três imagens, à semelhança do que tinham feito os ilustradores profissionais.
Aqui ficam alguns exemplos dos meus "artistas"...