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sábado, 2 de março de 2013

Recordações (II)


O ECO

Ah, se me lembro bem daqueles dias
       tão doces de passar!
E do sino, tocando Ave-Marias,
e do cheiro das flores do pomar...

Havia ao longe um eco, a que eu falava
em todo o ardor do meu ingénuo afã;
       e a quanto eu perguntava,
como era a minha Esperança que escutava,
o eco respondia-me: -
                                    - amanhã...

Há tempos, (e em que tarde encantadora!)
voltei de novo à quinta de meus pais:
Fui ao eco falar, como ia outrora...
       - Mas que saudade agora!... -
E o eco respondeu-me:
                                     - nunca mais...


Branca de Gonta Colaço

Retirado da
Antologia da Poesia Feminina Portuguesa, pág.152
António Salvado
Edições JF