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domingo, 3 de março de 2024

Haiku🌺

 

Em Deus tudo é Deus

uma simples folha de erva

não é menor que o infinito


José Tolentino Mendonça

"A Papoila e o Monge", pág.97,  Assírio & Alvim


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Uma fotografia para partilhar -1


Foi recortada de uma revista e guardei-a. Não sei de que revista foi retirada, nem quem é o autor.
Tenho umas pastas com recortes de artigos e fotografias.
Manias de acumuladora.



Pelos caminhos do amor

                                                                         
 
 
O último dia do verão
 
Pois às vezes me falta a quem contar
certo dia passado do princípio ao fim 
o encanto que tenha realmente
a insistência do vento ao longo da Foz
aquilo que daria (e eu daria tudo) por compaixão
 
Nascemos e vivemos só algum tempo
não temos nada
não podemos mesmo na penumbra
decidir a atenção ou o esquecimento
as forças soçobram como vagos motivos
em público
e em qualquer lugar
 
Por isso sei tão bem o valor
da natureza indiscutível dos teus olhos
onde a luz anota seus aspectos
teus olhos impacientes e irrealizáveis
que me acompanham
agora que sozinho danço
pela cidade vazia
 
José Tolentino Mendonça
A Noite Abre Meus Olhos, pág.148
Assírio & Alvim
 
 

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Amar

Uma Vela Acesa

Onde nada ameaça
sobrevém inesperado o temor:
um coração desce
à morada de outro coração

José Tolentino de Mendonça
A noite Abre Maus Olhos, pág.154

                                                                    
 
Myra Landau
 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Entre a ficção e a realidade

 
 
 
 
Se me puderes ouvir
 
O poder ainda puro das tuas mãos
é mesmo agora o que mais me comove
descobrem devagar um destino que passa
e não passa por aqui
 
à mesa do café trocamos palavras
que trazem harmonias
tantas vezes negadas:
aquilo que nem ao vento sequer
segredamos
 
mas se hoje me puderes ouvir
recomeça, medita numa viagem longa
ou num amor
talvez o mais belo
 
José Tolentino Mendonça, A Noite Abre Meus Olhos, pág.115
Assírio & Alvim
                                                                                 

domingo, 13 de maio de 2012

Versões do mundo

Se tiveres de escolher um reino
escolhe o relento
a noite tem a brancura do alabastro
ou mais extraordinário ainda

Ao que vem depois de ti
cede o instante
sem pronunciar
seu nome


A Noite Abre Meus Olhos, pág.241
José Tolentino Mendonça
Assírio & Alvim