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terça-feira, 7 de agosto de 2018

Livre arbítrio


Poema do livre arbítrio

Há uma fatalidade intrínseca, insofismável,
inerente a todas as coisas e nelas incrustrada.
Uma fatalidade que não se pode ludibriar,
nem peitar, nem desvirtuar,
nem entreter, nem comover,
nem iludir, nem impedir,
uma fatalidade fatalmente fatal,
uma fatalidade que só poderia deixar de o ser
para ser fatalidade de outra maneira qualquer,
igualmente fatal.

Eu sei que posso escolher entre o bem e o mal.
Eu sei que posso fatalmente escolher entre o bem e o mal.

E já sei que escolho o bem entre o mal e o bem.
Já sei que escolho fatalmente o bem.
Porque escolher o bem é escolher fatalmente o bem,
como escolher o mal é escolher fatalmente o mal.
O meu livre arbítrio
conduz-me fatalmente a uma escolha fatal.

António Gedeão

                                                                                   


Myra Landau

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Quadra


XLII

Quando me toma o cansaço
Penso em ti, como quem reza,
E a alma torna-se de aço,
E a vida já não me pesa!

Augusto Gil
O Craveiro da Janela, pág.53

                                                                             
 
Myra Landau
 
Bailado (título meu)
 
                                                                                 

sábado, 11 de junho de 2016

O Poeta e a Rosa


"O poeta tem olhos de água para reflectirem todas as
                                                          cores do mundo,
e as formas e as proporções exactas, mesmo das coisas
                                          que os sábios desconhecem." [...]


Manuel da Fonseca, Retirado do poema Os olhos do Poeta
Pág.82, Poemas Completos, forja editora, 1978

                                                                              
Rosa
Myra Landau
 
Retirado daqui:
 
 

domingo, 5 de junho de 2016

Papagaio de Papel

                                                                              
 
Myra Landau
Retirado do Blogue Parole  http://myra-parole.blogspot.pt/
 
 
O papagaio de papel
 
Deixem-no lá, deixem-no lá, o papagaio!
Deixem-no lá bem preso à terra,
vibrando!
 
Aos arranques,
a fazer tremer a terra,
a querer voar
pelo ar
até pertinho do Céu...
 
Deixem-no lá, deixem-no lá o papagaio!
Deixem-no lá viver a sua inquietação
e ser verdade aquela ânsia
de fugir.
Não lhe cortem o cordel!
Poupem o papagaio à dor enorme
de cair,
papel inútil, roto, pelo chão.
 
Não lhe ensinem,
ao pobre papagaio de papel,
que a sua inquietação
é a única força que ele tem.
 
Deixem-no lá,
naquela ânsia de fuga,
no sonho (a que uma navalha
pode dar o triste fim)
de fazer ninho no Céu:
Sempre anda longe da terra, assim,
o comprimento do cordel...
 
 
Sebastião da Gama
 
 
 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

***** Estrelas *****


                                                                             
 
Myra Landau
 
 
"Sou dono das estrelas porque antes de mim, ninguém mais sonhou em possuí-las."
 
                                    O Principezinho
 

quarta-feira, 22 de julho de 2015

A relatividade das coisas


Poema das coisas belas

As coisas belas,
as que deixam cicatrizes na memória dos homens,
porque motivo serão belas?
E belas, para quê?

Põe-se o Sol porque o seu movimento é relativo.
Derrama cores porque os meus olhos vêem.
Mas porque será belo o pôr do Sol?
E belo, para quê?

Se acaso as coisas não são coisas em si mesmas,
mas só são coisas quando coisas percebidas,
porque direi das coisas que são belas?
E belas, para quê?

Se acaso as coisas fossem coisas em si mesmas
sem precisarem de ser coisas percebidas,
para quem serão belas essas coisas?
E belas, para quê?

António Gedeão

                                                                                   
 
Myra Landau
 

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Serenidade

«Branda Companheira»

Branda companheira: serenidade,
leda ventura a ser no pensamento
feliz e ao mesmo tempo o adoçar
compassado: nem fugidio ou lento

da placidez. Outro bem fulgirá
maior e mais belo que aquele ameno
e sem sobressaltos encaminhar
para selar fortuna há tanto tempo

esperada? Ainda que alguns presságios
nos atropelem todos os sentidos,
uma nesga de azul p'lo ar avança

e mais alargando, em profundidade,
a sua cor pertinente, incisiva.
E em nosso peito que ternura anda?

António Salvado,
No Interior da Página
seguido de
Prosas Avulsas do Interregno, pág.16


                                                                          
 
Myra Landau
 
 

domingo, 7 de junho de 2015

Partir


Mar e Céu
 
 
Myra Landau
 
 
O Vento Na Ilha
 
O vento é um cavalo:
ouve como ele corre
pelo mar, pelo céu.
 
Quer levar-me: escuta
como atravessa o mundo
para me levar até longe.
 
Esconde-me nos teus braços
só esta noite,
enquanto a chuva abre
contra o mar e a terra
a sua boca inumerável.
 
Escuta como o vento
chama por mim a galope
para me levar até longe.
 
A tua testa na minha testa,
a tua boca na minha boca,
os nossos corpos presos
ao amor que nos queima,
deixa que o vento passe
sem me conseguir levar.
 
Deixa que o vento corra
coroado de espuma,
que me chame e me procure
a galope na sombra,
enquanto eu, submerso
sob os teus grandes olhos,
só por esta noite
descansarei, meu amor.
 
Pablo Neruda
 
 

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Amar

Uma Vela Acesa

Onde nada ameaça
sobrevém inesperado o temor:
um coração desce
à morada de outro coração

José Tolentino de Mendonça
A noite Abre Maus Olhos, pág.154

                                                                    
 
Myra Landau
 

segunda-feira, 30 de março de 2015

Não choreis por mim...

                                                                          
 
 
NÃO!
 
Não, não choreis por mim!
As lágrimas molham o caminho,
Que quero liso, macio, fino.
Sabeis, que vou cansada.
Sei, que não fui
Bandeira de nada, nem estrela de ninguém.
Não ergui tochas de traição, nem soube da cobiça do vento.
Não abracei a estrela polar, nem amarrei as ondas do mar.
Não apaziguei as tuas dores, nem as minhas soube abrandar.
Não, tantas coisas, nem, outras tantas.
Mas fui
Semente sem chão, terra humosa, fruto,
Esperança avaramente sustida,
No sonho que acalentei em ti.
Pedaço de lua, tua, palavra, poema,
Fraga enxertada no cimo do monte,
Luar de agosto, espiga vermelha, por ti desfolhada,
Em ti, madura.
Não. Não choreis por mim!
As lágrimas molham o caminho
Que preciso liso, fino, macio.
 
 
Maria José Carvalho Areal
Há dias que não sei de mim... pág.206
Chiado Editora
 

 
Myra Landau
 
 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Contraste


Labirinto

Eu ainda era noite
e já sonhava madrugadas
Eu era ainda inverno
e já sonhava primaveras
Eu ainda era botão
e já sonhava flores

Este todo o meu drama!

E se me perdi
porque de mim me parti
à procura de mais-além

de que vale então viver
Se indo com os outros me atraso
Se buscando ir mais além me perco!?

Ovídio Martins
Caminhar, pág.24
Colecção oferta do Jornal Sol


                                                                         
 
Myra Landau
 
 

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Pequena Canção

 
Pássaro da lua,
que queres cantar,
nessa terra tua,
sem flor e sem mar?
 
Nem osso de ouvido
pela terra tua.
Teu canto é perdido,
pássaro da lua...
 
Pássaro da lua,
porque estás aqui?
Nem a canção tua
precisa de ti!
 
Cecília Meireles
Obra Poética, pág.195 
 
 
 
Myra Landau
 

domingo, 25 de maio de 2014

Canção do tempo fugaz


A água corre, jamais regressa
       à nascente da montanha.
A flor cai, jamais regressa
       ao ramo que a sustentou.
Fugidio relâmpago, a vida,
       apenas o sentir do seu passar.
Imutáveis Céu e Terra,
       tão rápida a mudança em nosso rosto.

Poemas de Li Bai, pág.259
Instituto Cultural de Macau
      
                                                                               
 
Myra Landau
 
 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Tenho uma saudade tão braba


Tenho uma saudade tão braba
Da ilha onde já não moro,
Que em velho só bebo a baba
Do pouco pranto que choro.

Os meus parentes, com dó,
Bem que me querem levar,
Mas talvez que nem meu pó
Mereça a Deus lá ficar.

Enfim, só Nosso Senhor
Há-de decidir se posso
Morrer lá com esta dor,
A meio de um Padre Nosso.

Quando se diz «Seja feita»
Eu sentirei na garganta
A mão da Morte, direita
A este peito, que ainda canta.

Vitorino Nemésio

(Retirado da revista Ler de Fevereiro de 2014)

                                                                                    
 
Myra Landau
 

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Haiku e uma pintura, ou vice-versa


                                                                                 
 
Myra Landau
 
 
crescem flores bravas
no penhasco de ninguém -
só a voz do mar
 
 
Leonilda Alfarrobinha
De Frente para o Mar, Poesia haiku contemporânea, pág.83
Palimage
 

domingo, 7 de julho de 2013

Afinidade


"Sentimos uma afinidade com certo pensador porque concordamos com ele; ou porque nos mostra o que já pensávamos; ou porque ele nos mostra de modo mais articulado o que já pensávamos; ou porque nos mostra o que já estávamos perto de pensar; ou o que mais cedo ou mais tarde pensaríamos; ou o que teríamos pensado muito mais tarde se  o não tivéssemos lido agora; ou o que seria verosímil que pensássemos, mas nunca teríamos pensado se o não tivéssemos lido agora; ou o que teríamos gostado de pensar, mas nunca teríamos pensado se o não tivéssemos lido agora."

Lydia Davis
Contos Completos, pág.267
Relógio D'Água

                                                                            
 
Myra Landau
 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Nas ondas do mar...


Cantiga

Nas ondas da praia
Nas ondas do mar
Quero ser feliz
Quero me afogar.

Nas ondas da praia
Quem vem me beijar?
Quero a estrela d'Alva
Rainha do mar.

Quero ser feliz
Nas ondas do mar
Quero esquecer tudo
Quero descansar.

Manuel Bandeira

                                                                                    
 
Myra Landau
 

quinta-feira, 28 de março de 2013

Depois da chuva!

 

Já lá vem o mês de Abril,
Deitando ao campo as flores,
Contadas passam de mil
Rosas de variadas cores.

Já os canteiros têm flores
Já chegou a Primavera: -
Meu amor, ainda aqui estou
E ainda sou quem era.

Popular
(Do livro Cantares de Todo o Ano, pág.68 )    
                                    
                                   

 
Myra Landau
 

sábado, 26 de janeiro de 2013

Renovação


Provérbio

O que vier com alma nova, fique.
Deite a sua raiz,
Cresça, floresça, frutifique,
E morra se outra seiva o contradiz.


Poesia Completa I, Miguel Torga, pág.199
Círculo de Leitores
 
 
 
Myra Landau
                                                               

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

As Palavras


"AS PALAVRAS

O preço de uma pessoa vê-se na maneira como gosta de usar as palavras.
Lê-se nos olhos das pessoas. As palavras dançam nos olhos das pessoas
Conforme o palco dos olhos de cada um.


 
CENTENÁRIO DAS PALAVRAS
 
Todos os dias faz anos que foram inventadas as palavras.
É preciso festejar todos os dias o centenário das palavras."
 
 
Almada Negreiros, Obra Completa, pág.175/176
Editora Nova Aguilar
 
 
 
Myra Landau