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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

"Os Dias Das Pequenas Coisas"

 É o título do livro /catálogo que acabei de ler e que dá uma perspectiva bastante completa da vida e obra de Sarah Affonso, cujo trabalho aprecio bastante.

O livro é muito interessante e muito bonito, pois tem imensas ilustrações - fotografias e reproduções dos diferentes trabalhos de Sarah Affonso, muitos dos quais nunca tinha visto.

Este livro de 224 páginas, numa edição da Tinta da China e MNAC, foi publicado em conjunto com a exposição SARAH AFFONSO. OS DIAS DAS PEQUENAS COISAS, que esteve patente no Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, em Lisboa, de 13 de Setembro de 2019 a 22 de Março de 2020 (infelizmente e com muita pena minha, não vi a exposição:((



"Apesar do vasto legado artístico e de a sua obra já ter sido várias vezes dada a ver em exposições individuais ou coletivas, Sarah Affonso permanece desconhecida do grande público.

[...]

A artista que preenche as páginas deste álbum ilustrado - através dos seus trabalhos, de uma fotobiografia e de ensaios desenvolvidos por especialistas de diferentes áreas - é uma criadora multifacetada, com uma obra que vai do desenho e da pintura ao bordado, da ilustração aos azulejos, que parte da tradição gravada nas suas memórias e até da sua vida familiar para a exploração de novos territórios artísticos, como o trabalho de arquitetura paisagista e design de interiores que foi desenvolvendo na sua casa de Bicesse ao longo dos anos em que a habitou."

(Retirado da contracapa do livro)


                                                                                    




" A pedagogia da infância e dos pequenos gestos, na fundamental escala doméstica, grande foco das vanguardas, teve nela uma cultora informada e dedicada. Talvez esteja na altura de recuperar, sem preconceitos, o papel da casa na formação e no olhar sobre o mundo". (pág.135)


domingo, 9 de dezembro de 2012

Sarah Affonso e Almada Negreiros


conversas com sarah affonso, um livro ( que veio da Livraria Lumière) muito interessante, em que Maria José Almada Negreiros, nora de Sarah Affonso e Almada Negreiros publica conversas informais com a sogra , como se de uma entrevista se tratasse.
Sarah Affonso fala de Almada  - o homem e o pintor - e da vida que partilharam, da época que viveram e também de alguns amigos com quem conviveram - nomeadamente Fernando Pessoa, Amadeu Sousa Cardoso, Santa Rita, Mário de Sá Carneiro...
Um livro que se lê com muito interesse, com histórias vividas e contadas na primeira pessoa.


 
 
"Lembrei-me de começar a gravar aquelas conversas mas não me dava muito jeito, - perante a naturalidade em que tudo decorria e com um interesse que talvez viesse dessa mesma naturalidade - que desse a impressão, que poderia ser ridícula, da nora a entrevistar a sogra. Recorri então a um gravador « clandestino ».
...Procurei, em todo o livro, manter a simplicidade com que foi ditado, respeitando escrupulosamente a gravação. De outro modo creio que não se justificaria porque ele só pode ter interesse na verdade que têm as coisas que são ditas sem estar a pensar na posteridade."
 
Maria José Almada Negreiros, na contra-capa do livro
 

 
Uma foto de Sarah Affonso Com Almada Negreiros
Uma, de várias que o livro apresenta
 
 
"Vinha cheio de esperança de Espanha e aqui não há entusiasmo por nada, não se acredita em nada.
- Aí é que está. As pessoas não acreditam, nem vibram, a não ser quando se trata de negociozinhos"
(pág.72 )
 
"Outra vez o médico disse-lhe « Almada, você já não está novo, devia fazer umas economias para a velhice » . - « Fazer economias!! Eu tenho tanta fé na minha estrela, a minha estrela que há-de brilhar ainda quando eu já cá não estiver » . (pág. 74)
 
"O José [...]Não se prendia pelo dinheiro, apesar de precisar de dinheiro como toda a gente. Tinha coragem demais para a vida.[...]era um homem sério. Um artista mais puro..." (pág. 76)
 
"- Não ligava à obra depois de feita?
- Ligava. « Este gostava de ficar com ele, gosto dele». Mas vinha alguém que também gostava e ele dava. Dava com muita facilidade e a toda a gente." 
 ( pág.80)
 
"- E não viste em Barcelona como é que eles tiravam os frescos dum lado para o outro, frescos de centenas de anos? Era muito engraçado! Colam umas sarapilheiras à superfície do fresco. Deixam secar a cola, e enrolam-se em rolo, despregando os frescos da parede. Para o pôr noutro sítio, põe-se massa na parede e deixa-se secar. Depois de estar seco, com água amolecem os panos e retiram-nos. A cola sai e o que fica é só a superfície intacta do fresco!
- E as cores não ficam estragadas com esses tratamentos?
- Não, porque as cores do fresco são as cores mais resistentes que existem. Aguentam o sol, a proximidade do mar, as centenas de anos, os calores dos vulcões." (pág.91)
 
"- «A alegria é a coisa mais séria da vida» dizia ele." (pág.97)
 
" O José era uma pessoa muito especial. Ele criava a sua atitude na vida, não era só fazer bem arte, era a própria vida, aperfeiçoava-se, e era duma generosidade e duma bondade!" (pág.116)
 
 
Citações retiradas do livro referido.
conversas com sara affonso, Maria José Almada Negreiros
Editora Arcádia
Edição Março de 1982