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terça-feira, 8 de agosto de 2023

Rumo





Pus-me preso às minhas ordens
pra não me perder de mim

Almada Negreiros 

Pág.241 (idem)

 

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

(re) Começo



O que hoje aprendi para dizer-me
Talvez não caiba no jeito do verso
não cabe, por minha falta
mas eu aprendi

Desde hoje serei mais eu
estarei mais onde estiver


Pág. 242 de Poemas
José de Almada Negreiros
Assírio & Alvim


 

domingo, 6 de agosto de 2023

O mar e (é) um poema




Se é dever dizer o que
sem mestre aprendi da
vida digo:
a natureza tem tudo
mas cada coisa de 
sua vez.
É simultânea como o
conhecimento:
sabe-se bem uma coisa
por causa de várias
que se sabem mal.
E tive paz quando
soube que antigos
me tinham deixado
isto mesmo.



Pág. 197 de Poemas
de
José de Almada Negreiros
Assírio & Alvim
2001

 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

As Palavras


"AS PALAVRAS

O preço de uma pessoa vê-se na maneira como gosta de usar as palavras.
Lê-se nos olhos das pessoas. As palavras dançam nos olhos das pessoas
Conforme o palco dos olhos de cada um.


 
CENTENÁRIO DAS PALAVRAS
 
Todos os dias faz anos que foram inventadas as palavras.
É preciso festejar todos os dias o centenário das palavras."
 
 
Almada Negreiros, Obra Completa, pág.175/176
Editora Nova Aguilar
 
 
 
Myra Landau
                                                                           

domingo, 9 de dezembro de 2012

Sarah Affonso e Almada Negreiros


conversas com sarah affonso, um livro ( que veio da Livraria Lumière) muito interessante, em que Maria José Almada Negreiros, nora de Sarah Affonso e Almada Negreiros publica conversas informais com a sogra , como se de uma entrevista se tratasse.
Sarah Affonso fala de Almada  - o homem e o pintor - e da vida que partilharam, da época que viveram e também de alguns amigos com quem conviveram - nomeadamente Fernando Pessoa, Amadeu Sousa Cardoso, Santa Rita, Mário de Sá Carneiro...
Um livro que se lê com muito interesse, com histórias vividas e contadas na primeira pessoa.


 
 
"Lembrei-me de começar a gravar aquelas conversas mas não me dava muito jeito, - perante a naturalidade em que tudo decorria e com um interesse que talvez viesse dessa mesma naturalidade - que desse a impressão, que poderia ser ridícula, da nora a entrevistar a sogra. Recorri então a um gravador « clandestino ».
...Procurei, em todo o livro, manter a simplicidade com que foi ditado, respeitando escrupulosamente a gravação. De outro modo creio que não se justificaria porque ele só pode ter interesse na verdade que têm as coisas que são ditas sem estar a pensar na posteridade."
 
Maria José Almada Negreiros, na contra-capa do livro
 

 
Uma foto de Sarah Affonso Com Almada Negreiros
Uma, de várias que o livro apresenta
 
 
"Vinha cheio de esperança de Espanha e aqui não há entusiasmo por nada, não se acredita em nada.
- Aí é que está. As pessoas não acreditam, nem vibram, a não ser quando se trata de negociozinhos"
(pág.72 )
 
"Outra vez o médico disse-lhe « Almada, você já não está novo, devia fazer umas economias para a velhice » . - « Fazer economias!! Eu tenho tanta fé na minha estrela, a minha estrela que há-de brilhar ainda quando eu já cá não estiver » . (pág. 74)
 
"O José [...]Não se prendia pelo dinheiro, apesar de precisar de dinheiro como toda a gente. Tinha coragem demais para a vida.[...]era um homem sério. Um artista mais puro..." (pág. 76)
 
"- Não ligava à obra depois de feita?
- Ligava. « Este gostava de ficar com ele, gosto dele». Mas vinha alguém que também gostava e ele dava. Dava com muita facilidade e a toda a gente." 
 ( pág.80)
 
"- E não viste em Barcelona como é que eles tiravam os frescos dum lado para o outro, frescos de centenas de anos? Era muito engraçado! Colam umas sarapilheiras à superfície do fresco. Deixam secar a cola, e enrolam-se em rolo, despregando os frescos da parede. Para o pôr noutro sítio, põe-se massa na parede e deixa-se secar. Depois de estar seco, com água amolecem os panos e retiram-nos. A cola sai e o que fica é só a superfície intacta do fresco!
- E as cores não ficam estragadas com esses tratamentos?
- Não, porque as cores do fresco são as cores mais resistentes que existem. Aguentam o sol, a proximidade do mar, as centenas de anos, os calores dos vulcões." (pág.91)
 
"- «A alegria é a coisa mais séria da vida» dizia ele." (pág.97)
 
" O José era uma pessoa muito especial. Ele criava a sua atitude na vida, não era só fazer bem arte, era a própria vida, aperfeiçoava-se, e era duma generosidade e duma bondade!" (pág.116)
 
 
Citações retiradas do livro referido.
conversas com sara affonso, Maria José Almada Negreiros
Editora Arcádia
Edição Março de 1982