domingo, 11 de setembro de 2011

Sobre A Morte - Alexander Search

Sobre A Morte

Quando penso que os dias a passar
Em passos breves, mas em peso sentidos,
Minh´alma levam a espaços temidos
E a juventude à morte vai dar,

Por estranho e triste que me pareça
Que em breve (ora vivo) eu vá morrer,
Vaga, incerta dor que pesa em meu ser
Faz com que a mente em pavor desfaleça.

Contudo mesmo em raiva, choro e pena
Cada instante é consolo ao coração
E com riso acolherei cada gemido:

Do fundo desespero e esp´rança acena.
Na morte não vejo a libertação -
É melhor o mau que o desconhecido.


Retirado de Poesia, Alexander Search, pág.11
Assírio & Alvim





O Anjo da Morte, Evelyn De Morgan
                                                                                     

sábado, 10 de setembro de 2011

Cristina Branco

Hoje fui ouvir Cristina Branco ao Cine-Teatro Avenida.
Acompanhada por quatro músicos: guitarra, viola, contrabaixo e piano/acordeão.
Um espectáculo excelente.
Houve momentos em que gostaria de poder cantar em voz alta junto com a fadista...cantora...



"Entrelaçam-se dedos na música como pernas que dançam pela noite dentro. Dizem alguns que o Fado já foi bailado. O Fado é como o Tango, ritmos de gente doída e pobre, mas de alma grande!"(Cristina Branco, referido na Agenda Cultural da Câmara Municipal de Castelo Branco,nº8)





"Pode ir-se mais longe e imaginar que "Não há só Tangos em Paris" é a própria viagem a Buenos Aires/Lisboa/Paris. Tudo pode acontecer neste percurso entre a miséria e a luxúria. Há desespero, um rol de desgraças, histórias de amantes, e há sobretudo Saudade, a palavra indizível mas de sentimento tão amplo e nobre. Tenho p´ra mim que sou inteira!"(Cristina Branco, idem)
                                                                              



Sou inteira quando canto
O fado, canção saudade
Tenho dentro do meu peito
O sabor da liberdade

  

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Biblioteca Municipal de Castelo Branco - um espaço de cultura e lazer


Ontem fui inscrever-me na Biblioteca Municipal.
E de caminho trouxe três livros, que se calhar não vou ter tempo de ler dentro do prazo, mas...logo se vê!
Vou tentar, porque são livros que estão esgotados e quero muito ler.


                                                                                  

Há muitos anos, mesmo muitos que deixei de frequentar a biblioteca onde me tinha inscrito aos seis anos, e de onde trouxe tantos e tantos livros que me fizeram sonhar.
A biblioteca entretanto também mudou de instalações e hoje situa-se bem no centro da cidade, junto às Docas, num edifício construído de raiz, no local onde ficava o antigo Quartel do Regimento de Cavalaria.
A actual biblioteca foi inaugurada a 28 de Junho de 2007.


                                                                             

 Já lá tinha entrado com os meus alunos e também para cumprir o meu dever de cidadã, uma vez que fica ali a secção de voto onde pertenço.


                                                                               

No final do ano lectivo recomendei aos meus alunos que se fossem inscrever e durante as férias lessem alguns livros.
Resolvi que também deveria inscrever-me para ser coerente.


                                                                                 

Além disso, é uma boa altura para começar a utilizar a biblioteca e tentar comprar menos livros, já que estamos em época de crise...


                                                                          

Tem um espaço interior muito amplo e bastante agradável. Mais concretamente, tem vários espaços, dentro dum mesmo espaço.


                                                                               

Ontem, enquanto tratava daquilo que me levou ali, tive oportunidade de observar que havia quem lesse o jornal ( alguns aposentados), noutro local, jovens utilizavam computadores, outros jovens liam, havia pessoas à procura de livros (eu incluida - depois de me informarem correctamente, depressa encontrei o que queria), havia 3 miúdos pequenos com o avô...
Nota-se que a biblioteca  é frequentada, utilizada...( que é para isso que ela existe).


                                                                           

Podem requisitar-se livros, DVDs e CDs. Permite a utilização de Internet gratuita. A leitura presencial de obras. Consulta de Periódicos locais e nacionais.
Gostei do aspecto geral da biblioteca e do ambiente tranquilo.
A parte da frente é  envidraçada. Torna o local mais leve e luminoso.
O espaço envolvente é bastante aprazível.
Gosto.


                                                                                

O ambiente pareceu-me muito bom.





A porta de entrada do antigo Quartel de Regimento
(ao fundo vê-se a biblioteca)







quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Pablo Neruda - O Teu Riso

O teu riso

Tira-me o pão se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.


Retirado de Os Versos Do Capitão, Pablo Neruda, pág.27 a 29
Campo das Letras



Renoir
                                                                                 

Madness - House of Fun

Ora aí está, Nuno!





terça-feira, 6 de setembro de 2011

Alexander Search - Pela Estrada

                  Pela Estrada

                                                                  De carroça

Ora aqui vamos com a vida a brilhar
    No mar dourado da luz do momento,
E no rosto uma frescura a adejar -
    Uma frescura de alma em movimento.

Colinas acima! Os vales galgando!
    Ora na planície mais devagar!
Balança a carroça nas curvas guinando,
    Na terra em silêncio, ora a deslizar!

Mas temos de ir à cidade ou lugar,
    E nos olhos já a pena aparece.
Pudessemos sempre continuar
    Ao ar e ao sol que bate e aquece;

Em estrada infinita, num andar a gosto,
    Em eterno e liberto encantamento,
Com o sol à volta, batendo no rosto -
    Uma frescura de alma em movimento!


Retirado de Poesia, Alexander Search, pág.259
Assírio & Alvim




Um par de sapatos, Van Gogh

                                                                                      

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Alexander Search - O Jogo

O Jogo

Anda menino, vamos jogar
         Para podermos o mundo esquecer.
Diz - diz lá - a que vamos brincar?
         Ora diz-me, que jogo vai ser?

Queres brincar a ser grande, menino?
         Não, nem a ser famoso brincamos.
Vamos crer que somos o Destino
         E, com areia, vidas moldamos?

Olha, menino, fingiremos antes
         Que alegres e felizes estamos;
Que nós somos sonhos, distantes
         Deste mundo em que nós brincamos.


Retirado de Poesia, Alexander Search, pág.193
Assírio & Alvim



Menino lendo, Charles James Adams