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sábado, 14 de dezembro de 2019
Projectos, concursos, desfiles e afins..."Escola, Escola, Quem és Tu?"
Sou professora.
Nem boa nem má: sou professora e sempre fiz tudo o que é suposto.
É na sala de aula que tenho que provar o que valho (mesmo se na maior parte do tempo não tenho nada mais que um quadro preto - que acho imprescindível - e papel e um velho e obsoleto computador ), não é em desfiles, nem em exposições, nem em concursos...que tenho que mostrar o meu valor ou a minha competência. Também aí, mas por acréscimo e de forma facultativa. Às vezes há tempo e criatividade, outras vezes não.
Não me obriguem a participar em projectos para os quais já não tenho (nem quero ter) capacidade de resposta.
Já não tenho tempo, nem idade, nem incentivo.
O meu contrato de trabalho acabaria há quatro anos, mas antes de acabar fizeram-me saber que afinal teria que aguentar mais ONZE anos!
domingo, 21 de agosto de 2016
Escola & Educação
"Durante as férias de Verão, os estudantes japoneses têm de efectuar um certo número de trabalhos ou actividades que deverão mostrar ao professor no regresso às aulas: participação em sessões de ginástica radiofónica de bairro, diário pessoal com desenhos, lista de livros lidos e com os respectivos comentários, relatório sobre um tema á escolha, etc."
Pág.145, A Magia dos Números, Yoko Ogawa
"Não saber não era vergonhoso, pois permitia tomar outra direcção na busca da verdade." (pág.77)
sábado, 6 de setembro de 2014
Como vai a Escola? Como vai o ensino do Português?
Com as aulas à porta, com alunos, pais e professores constantemente a ser surpreendidos com mudanças/novidades quase sempre sem sentido e que acabam tantas vezes por desaparecer sem deixar rasto, tal era a inutilidade, vale a pena ouvir Maria do Carmo Vieira e reflectir.
Como hoje é sábado e há um pouquinho mais de disponibilidade, se puderem arranjem aí uns minutos para ver este filme. Até ao fim, porque vale mesmo a pena!
sexta-feira, 30 de maio de 2014
Educação
Quarta-feira de manhã:
- Professora, hoje é o dia que eu mais gosto...
- Porquê, porque é dia de inglês?...
- Não...porque só tenho escola e não tenho mais nada...assim posso brincar. É hoje e domingo...brinco com o meu pai.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
"Bournout" dos professores
Li este texto de Isabel Leal,( Professora de Psicologia/ Psicoterapeuta) «"Bournout" nos professores», na Caras nº898 de 27 de Outubro de 2012.
"Uma das três profissões mais stressantes é, por estranho que pareça, a de professor. O desejável aumento, nas últimas décadas, do número de estudantes de todos os graus de ensino teve consequências na profissão docente. Não foi só a mudança de um ensino de elite para um ensino de massas, o que, por si só, já exigiria um enorme esforço de adaptação. Foi também e eventualmente em função desta grande alteração do sistema, a necessidade de modificar o tradicional papel do professor, figura respeitável, respeitada e detentora do conhecimento.
Neste novo quadro, o professor, além de continuar a ser um transmissor de conhecimento, deverá desempenhar múltiplas tarefas e papéis. Deverá, além de ensinar e de se certificar que as aprendizagens são conseguidas, ser um mediador entre a Escola, as famílias e os alunos; detetar e encaminhar problemas e dificuldades que tenham consequências no desempenho escolar; fazer parte de equipas que estruturam currículos alternativos; participar em todos os aspetos da vida da Escola, desde a gestão de equipamentos e recursos, passando pelas tarefas administrativas, até à organização e acompanhamento de atividades extracurriculares.
Resultante da mudança do papel tradicional da família, compete ainda ao professor ser o transmissor de um conjunto de valores socialmente tidos como desejáveis, e muitas vezes espelhados nos programas, e que, no entanto, não fazem parte do Know-how de muitas famílias.
Paralelamente a tudo isto, e muito em consequência do desenvolvimento tecnológico, o professor tem que se manter ele próprio sempre em aprendizagem e formação rigorosas, sob pena de ser rapidamente ultrapassado pelos próprios estudantes.
Esta acumulação de exigências - a que se podem somar muitas outras de natureza contextual ou relacional, como, por exemplo, a sobrecarga de trabalho; falta de condições materiais das escolas; excesso de burocracia; falhas na comunicação ou estudantes insubmissos ou problemáticos; grupos heterogéneos de alunos; situações sociais degradadas - fornece pano de fundo em que o professor se move e que faz da profissão docente uma atividade ansiogénica e stressante.
O bournout, que na prática é um stresse ocupacional prolongado e intenso, surge em resposta a stressores interpessoais crónicos presentes no contexto laboral e é, efetivamente, um risco da profissão docente. Manifesta-se por sintomas de exaustão emocional, fadiga e depressão, e pode conduzir profissionais antes altamente motivados a situações de alienação, desumanização e apatia, conduzindo com frequência ao absentismo e ao desejo de abandonar a profissão."
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Problema resolvido!!
Recebi ontem por mail e não resisti a colocá-lo aqui!
"Ao ritmo a que irá crescer o número de alunos por turma, está resolvido o problema das salas de aula."
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
A osga
Tenho andado para contar a história da osga, já que falei dela...
Há uns anos estive a trabalhar em Alpedrinha, uma vila aqui próxima. Nesse ano tinha apenas alunos do 1º e 2º anos, uma turma pequena.
Não me lembro exactamente o mês, apareceu, um dia à tarde, uma osga no parapeito da última janela da sala.
Penso que foi depois do almoço. Dava sol na janela e ela ali ficou quietinha.
Era grande, gorda, bonita (para uma osga! ).
Os alunos, primeiro fizeram algazarra, mas depois sossegaram e deixaram a osga em paz, esquecendo-a rapidamente.
Durante vários dias, lá aparecia ela mais ou menos à mesma hora.
Aparecia sem ninguém dar conta e desaparecia da mesma maneira. Sempre havia um bocadinho para a admirar, quando algum aluno descobria que ela tinha chegado.
A D. Adelaide, a empregada da escola é que não achava graça e dizia que quando a apanhasse a matava.
- D. Adelaide, não se atreva a matar o bichinho que não faz mal a ninguém. Chateio-me com a senhora...
(Lá lhe explicava que não é venenosa).
Mas a D. Adelaide saía da sala pouco convencida.
Depois a osga deixou de aparecer.
-D. Adelaide, matou-a...
Primeiro negou, mas acabou por confirmar o que eu desconfiava.
Fiquei com pena. E um bocadinho zangada com a D. Adelaide. Mas ela na sua teimosia não entendeu que não só não é venenosa, como é útil, porque come muitos insectos.
Há um equilíbrio na natureza que nós acabamos sempre por estragar.
Os alunos sentiram-lhe a falta.
A nossa "amiga" osga não chegou a andar por ali tempo suficiente para lhe arranjarmos um nome.
Tudo por culpa da D. Adelaide!
Há uns anos estive a trabalhar em Alpedrinha, uma vila aqui próxima. Nesse ano tinha apenas alunos do 1º e 2º anos, uma turma pequena.
Não me lembro exactamente o mês, apareceu, um dia à tarde, uma osga no parapeito da última janela da sala.
Penso que foi depois do almoço. Dava sol na janela e ela ali ficou quietinha.
Era grande, gorda, bonita (para uma osga! ).
Os alunos, primeiro fizeram algazarra, mas depois sossegaram e deixaram a osga em paz, esquecendo-a rapidamente.
Durante vários dias, lá aparecia ela mais ou menos à mesma hora.
Aparecia sem ninguém dar conta e desaparecia da mesma maneira. Sempre havia um bocadinho para a admirar, quando algum aluno descobria que ela tinha chegado.
A D. Adelaide, a empregada da escola é que não achava graça e dizia que quando a apanhasse a matava.
- D. Adelaide, não se atreva a matar o bichinho que não faz mal a ninguém. Chateio-me com a senhora...
(Lá lhe explicava que não é venenosa).
Mas a D. Adelaide saía da sala pouco convencida.
Depois a osga deixou de aparecer.
-D. Adelaide, matou-a...
Primeiro negou, mas acabou por confirmar o que eu desconfiava.
Fiquei com pena. E um bocadinho zangada com a D. Adelaide. Mas ela na sua teimosia não entendeu que não só não é venenosa, como é útil, porque come muitos insectos.
Há um equilíbrio na natureza que nós acabamos sempre por estragar.
Os alunos sentiram-lhe a falta.
A nossa "amiga" osga não chegou a andar por ali tempo suficiente para lhe arranjarmos um nome.
Tudo por culpa da D. Adelaide!
E como o saber não ocupa lugar, aqui ficam umas informações acerca deste bichinho simpático:
Nome científico - Tarentola mauritanica
Comprimento - 15 cm
Cabeça-corpo - 8,5 cm
Longevidade - Cerca de 8 anos em cativeiro
Distribuição - Em Portugal está presente em quase todo o território
Estatuto - Espécie não ameaçada
Informações e foto retiradas da net, de Paisagem Protegida Da Albufeira Do Azibo, Macedo de Cavaleiros
sábado, 13 de agosto de 2011
Encerramento de Escolas
A propósito da recente notícia de que vão fechar 297 escolas do 1º ciclo, ocorre-me contar uma pequena história.
Há cerca de 5 anos trabalhei numa vila do distrito. Nesse ano tinha uma turma onde foram integrados 7 ou 8 alunos vindos de uma aldeia próxima, cuja escola tinha fechado. Supostamente para bem de todos, principalmente dos alunos.
Seria?
Mais tarde a mãe de uma dessas crianças, contou-me que ela e o marido tinham optado por construir casa na aldeia e viajar, ela, todos os dias para a cidade para trabalhar. Ponderaram e concluiram que era o melhor para as duas filhas. Teriam infância e um começo de escolaridade mais tranquilo, na aldeia onde viviam, onde tinham família, onde toda a gente as conhecia, onde andavam em liberdade, onde eram felizes.
A aldeia é bonita, airosa, simpática...um local realmente aprazível para uma criança crescer.
Quando a M., a mais velha das meninas passou para o 2º ano de escolaridade a escola foi encerrada e de certa forma o mundo daquela menina e dos seus colegas deu uma reviravolta de muitos graus e, sei eu que estava lá para ver, não foi para melhor!
Passaram a ter que se levantar muito mais cedo, a ter que andar às voltas de autocarro, a andar "por lá" muitas horas. Passaram a almoçar na cantina.
Há, de certeza, mais confusão, mais stress, menos conforto e menos tranquilidade nas crianças que se deslocam do seu meio habitual para outro que acaba por ser muito mais hostil. A troco de quê?
Parece que o objectivo dos governos são os números, mais que o bem estar das crianças ou o seu sucesso escolar.
Para haver sucesso escolar verdadeiro e não números fictícios, as turmas precisam ter menos alunos, os professores não podem estar tão sobrecarregados com burocracia e tem que haver mais pessoal auxiliar.
Os alunos deveriam entrar para o 1º ano de escolaridade com os 6 anos feitos.
Estatísticas, estatísticas, estatísticas!
Desumanizou-se o ensino. E a Educação é a base de uma sociedade evoluída. Perdem-se referências sólidas, perdem-se valores...
Mas que importa?
Restam sempre os números!
Acredito que algumas destas escolas devam fechar, mas 297?!
sábado, 16 de julho de 2011
Bons Exemplos
A propósito de um post, num blogue que visito, e do comentário que deixei, lembrei-me duma pequena história que se passou na minha escola.
Insisto muito com os alunos, na ideia de respeitar os outros e o ambiente. Relacionado com isso, falámos das pastilhas elásticas, que são um flagelo dos passeios e de muitos locais públicos, com as marcas inestéticas e quase perpétuas que deixam no chão.
Disse aos alunos que deveriam deitá-las sempre no lixo e se por acaso não houvesse um caixote por perto, poderiam pedir um papelito à mãe, guardá-la no papel e depois deitá-la no lixo em casa. Eu faço sempre isso se mastigo pastilhas elásticas.
Uma aluna pôs o dedo no ar e falou:
- Professora, ontem eu queria deitar uma pastilha fora e a minha mãe não me deu um papel, disse para eu a deitar para o chão.
- E tu que fizeste?...Deitaste?
- Não, levei-a na mão até encontrar um caixote!
Que encanto!
São estas coisas que nos fazem acreditar que vale sempre a pena...
As horríveis e inestéticas marcas.
Cada pastilha uma marca!
Estão por todo o lado.
Não há passeio que escape!
Insisto muito com os alunos, na ideia de respeitar os outros e o ambiente. Relacionado com isso, falámos das pastilhas elásticas, que são um flagelo dos passeios e de muitos locais públicos, com as marcas inestéticas e quase perpétuas que deixam no chão.
Disse aos alunos que deveriam deitá-las sempre no lixo e se por acaso não houvesse um caixote por perto, poderiam pedir um papelito à mãe, guardá-la no papel e depois deitá-la no lixo em casa. Eu faço sempre isso se mastigo pastilhas elásticas.
Uma aluna pôs o dedo no ar e falou:
- Professora, ontem eu queria deitar uma pastilha fora e a minha mãe não me deu um papel, disse para eu a deitar para o chão.
- E tu que fizeste?...Deitaste?
- Não, levei-a na mão até encontrar um caixote!
Que encanto!
São estas coisas que nos fazem acreditar que vale sempre a pena...
As horríveis e inestéticas marcas.
Cada pastilha uma marca!
Estão por todo o lado.
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