Mostrar mensagens com a etiqueta Fernando Pessoa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fernando Pessoa. Mostrar todas as mensagens

sábado, 15 de outubro de 2022

Amanhecer de Outono




CANÇÃO DE OUTONO

No entardecer da terra
O sopro do longo outono
Amareleceu o chão.
Um vago vento erra,
Como um sonho mau num sono,
Na lívida solidão.

Soergue as folhas, e pousa
As folhas, e volve e revolve.
E esvai-se inda outra vez.
Mas a folha não repousa,
E o vento lívido volve
E expira na lividez.

Eu já não sou quem era;
O que eu sonhei, morri-o;
E mesmo o que hoje sou
Amanhã direi: Quem dera
Volver a sê-lo!...Mais frio
O vento vago voltou.

Fernando Pessoa
(Retirado da net)
 


segunda-feira, 23 de maio de 2022

Uma Biografia

 Já está à venda em Portugal a  Biografia de Fernando Pessoa, de Richard Zenith.                              


Capa (na verdade é uma sobrecapa...)


Contracapa


Badana 

terça-feira, 5 de maio de 2020

Dia Mundial da Língua Portuguesa


Ouvi há pouco, no intervalo das "minhas" aulas na TV, que hoje se festeja pela primeira vez o Dia Mundial da Língua Portuguesa. A 4ª língua mais falada, no mundo. Falada por cerca de 260 milhões de pessoas!



A minha Pátria é a Língua Portuguesa - Fernando Pessoa

Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie – nem sequer mental ou de sonho -, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida.
Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas. São frases sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida, esquecer-se de ribeiro em que as ondas se misturam e indefinem, tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas. Assim as ideias, as imagens, trémulas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de sedas esbatidas, onde um luar de ideia bruxuleia, malhado e confuso.
Não choro por nada que a vida traga ou leve. Há porém páginas de prosa que me têm feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noite em que, ainda criança, li pela primeira vez numa selecta o passo célebre de Vieira sobre o rei Salomão. “Fabricou Salomão um palácio…” E fui lendo, até ao fim, trémulo, confuso: depois rompi em lágrimas, felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquele movimento hierático da nossa clara língua majestosa, aquele exprimir das ideias nas palavras inevitáveis, correr de água porque há declive, aquele assombro vocálico em que os sons são cores ideais – tudo isso me toldou de instinto como uma grande emoção política. E, disse, chorei: hoje, relembrando, ainda choro. Não é – não – a saudade da infância de que não tenho saudades: é a saudade da emoção daquele momento, a mágoa de não poder já ler pela primeira vez aquela grande certeza sinfónica.
Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.
Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.

“Livro do Desassossego”, por Bernardo Soares. Vol. I, Fernando Pessoa





terça-feira, 20 de agosto de 2019

Na horta... com Fernando Pessoa




X

Ameaçou chuva. E a negra
Nuvem passou sem mais...
Todo o meu ser se alegra
Em alegrias iguais.

Nuvem que passa...Céu
Que fica e nada diz...
Vazio azul sem véu
Sobre a terra feliz...

E a terra é verde, verde...
Porque então minha vista
Por meus sonhos se perde?
De que é que a minha alma dista?

Fernando Pessoa
Pág.91 de Cartas a Armando Côrtes-Rodrigues






sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Fernando Pessoa em banda desenhada:)


Comprei-o há dias e estou ansiosa (e curiosa) para o ler:)

                                                                                   
 
 

domingo, 22 de novembro de 2015

Reciclar :)


     Umas estantes velhas e outras peças que andavam esquecidas lá para o sótão, depois de recicladas ganharam vida e alegraram alguns cantos da casa.
     Não gosto de deitar nada fora - o que pode ser bom, porque lá diz o ditado que "Quem guarda acha", mas pode ser mau, porque a casa fica demasiado cheia.

                                                                        



 
 
 
BOM FIM-DE-SEMANA
 
                                                                
**********
 
XXXIX
 
O mistério das cousas - onde está ele?
Onde está ele que não aparece
Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?
 
Que sabe o rio disso e que sabe a árvore?
E eu, que não sou mais real do que eles, que sei disso?
Sempre que olho para as cousas e penso no que os homens pensam delas,
Rio como um regato que soa à roda de uma pedra.
 
Porque o único sentido oculto das cousas
É elas não terem sentido oculto nenhum.
É mais estranho do que todas as estranhezas
E do que os sonhos de todos os poetas
E os pensamentos de todos os filósofos,
Que as cousas sejam realmente o que parecem ser
E não haja nada que compreender.
 
Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos: -
As cousas não têm significação: têm existência.
As cousas são o único sentido oculto das cousas.
 
Alberto Caeiro
 
 

domingo, 27 de setembro de 2015

Prenúncio de Outono


Canção de Outono

No entardecer da terra
O sopro do longo outono
Amareleceu o chão.
Um vago vento erra,
Como um sonho mau num sono,
Na lívida solidão.

Soergue as folhas, e pousa
As folhas, e volve, e revolve,
E esvai-se inda outra vez.
Mas a folha não repousa,
E o vento lívido volve
E expira na lividez.

Eu já não sou quem era;
O que eu sonhei, morri-o;
E até do que hoje sou
Amanhã direi, Quem dera
Volver a sê-lo!... Mais frio
O vento vago voltou.

Fernando Pessoa
Pág.15, Vol. 2,  Obra Essencial de Fernando Pessoa


                                                                               
 
 

domingo, 20 de setembro de 2015

Morrer é só não ser visto

13.

A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
Existir como eu existo.

A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.

Fernando Pessoa
Pág.112 , vol.1 , Obra Essencial de Fernando Pessoa

                                                                        
 
 

sábado, 19 de setembro de 2015

Fernando Pessoa no Expresso

Saiu hoje, (grátis)  com o Expresso, o primeiro de nove volumes de "Obra Essencial de Fernando Pessoa".

                                                                              
 
1º volume

 
Caixa arquivadora (frente)

 
Verso
 
 
Bom fim-de-semana:)
Boas leituras:)
 
 

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Manhã de nevoeiro


                                                                                
 
Baía de Cascais
 
"Viajar? Para viajar basta existir. Vou de dia para dia, como de estação para estação, no comboio do meu corpo, ou do meu destino, debruçado sobre as ruas e as praças, sobre os gestos e os rostos, sempre iguais e sempre diferentes, como afinal as paisagens são."
 
Bernardo Soares, Livro do Desassossego
citado em Lisboa em Pessoa, Guia turístico e literário da Capital Portuguesa
de João Correia Filho,
Editora Livros D'Hoje
 

domingo, 30 de agosto de 2015

O mar :)


                                                                              
 
Praia do Guincho
 
 
**********
 
 
«Dizem que finjo ou minto
      Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
                 Com imaginação.
Não uso o coração.
 
            Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
         É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
                         Essa coisa é que é linda.
 
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
                 Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
                      Sentir? Sinta quem lê!»
 
Fernando Pessoa 
 
 

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Lisboa/Pessoa


Uma compra.
E espero que corresponda às expectativas.

                                                                           
 
    

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

No mês do Natal


No primeiro dia do mês do Natal...

Natal, na voz de Fernando Machado Soares

 
 
 
NATAL... NA PROVÍNCIA NEVA
Natal... Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
Estou só e sonho saudade.

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!
                                                                   

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Para lá do azul


As nuvens são sombrias

As nuvens são sombrias
Mas, nos lados do sul,
Um bocado do céu
É tristemente azul.

Assim, no pensamento,
Sem haver solução,
Há um bocado que lembra
Que existe o coração.

E esse bocado é que é
A verdade que está
A ser beleza eterna
Para além do que há.


Fernando Pessoa

                                                                               
 
 

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Marcadores - XXXVII


Fresquinhos! Fresquinhos!
Trouxe-mos há pouco a minha sobrinha!

                                                                               
 
"Não sou nada
Nunca serei nada
Não posso querer ser nada
À parte isso, tenho em mim
todos os sonhos do mundo."
 
Álvaro de Campos/
Fernando Pessoa
 
 
Também eu!
 
 
 
 
 
 
"É impossível não apreciar estes deliciosos pequenos pastéis de nata,
aconchegados numa estaladiça massa folhada e polvilhados de canela e
açúcar em pó."
 
 
Comia uns!


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Primor!


 Para Ser Grande...

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

(Ricardo Reis)



                                                                               

sábado, 19 de janeiro de 2013

Certezas

 
Quero, Terei...
 
Quero, terei -
Se não aqui,
Noutro lugar que inda não sei.
Nada perdi.
Tudo serei.
 
 
Fernando Pessoa
 
 

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada.
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.

O rio corre bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...


Fernando Pessoa
Poesia de Fernando Pessoa Para Todos, pág.21
Porto Editora



                                                                                  

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Fernando Pessoa Plural como o Universo


"Viver não é necessário, o que é necessário é criar"
                                                                  Fernando Pessoa



No sábado passado fui ver a exposição na Gulbenkian sobre o Fernando Pessoa.
Ía cheia de expectativas,  por tudo o que já tinha lido sobre a mesma.
Cheguei a pensar que com tanta expectativa, se calhar ia ficar desiludida.
Mas não!
Nada disso.
Passei cerca de hora e meia por lá e teria passado mais, se não estivesse um pouco condicionada pelo tempo e dependente da boleia de familiares, e ainda porque de repente, quando dei conta as salas estavam demasiados cheias de gente. Muita gente. Demais.

Tirei algumas fotos, mas não foram muitas, porque havia sempre uma pessoa a passar nos sítios...
Paciência.
Vi.
Guardei.
E para me ajudar a recordar, trouxe o catálogo.

A exposição ainda continua por mais uns dias.
Vale a pena ver.














"Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes
que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim."

Alberto Caeiro