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sexta-feira, 12 de abril de 2024

Leituras de Abril

Acabei de ler "Paula Rego, a Luz e a Sombra".

Cristina Carvalho  escreve na primeira pessoa, colocando Paula Rego a contar a sua própria história. Achei um pouco estranho, porque penso que é preciso conhecer muito bem a personalidade em causa para escrever desta forma.

Por vezes conseguia imaginar  Paula Rego a dizer, em voz alta, aquelas palavras e frases, no seu estilo inconfundível de falar.

 Fiquei a conhecer alguns factos que desconhecia, sobre a vida da pintora, e pergunto-me se será tudo verdade (suponho que sim)  ou apenas a autora a romancear?


"A Ericeira foi um dos locais onde Paula Rego passou muito tempo da sua infância e adolescência. Nesta localidade costeira, nos anos 50, a vida era rude, sobretudo para as mulheres. Cristina Carvalho, que há vários anos vive nesta zona e conhece o passado e o presente da vila piscatória e sua envolvência, procura recriar a vida da pintora neste ambiente."(Na contracapa)


 É um livro interessante e fácil de ler.

Gostei muito.

     



quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Arte & vida

Ontem estive a ver um vídeo sobre Paula Rego, Paula Rego Histórias & Segredos, um filme do filho, o cineasta Nick Willing.
Interessantíssimo, especialmente para quem gosta da artista e da sua pintura - eu gosto.
E como diz Ana Sousa Dias, DN, citada na contracapa do DVD: « Depois de ver o filme os quadros de Paula Rego passam a ter um novo significado.» . Concordo!

                                                                            


"Conhecida por ser muito ciosa da sua privacidade, Paula Rego revela-se pela primeira vez neste filme, surpreendendo o seu filho, o cineasta Nick Willing, com histórias e segredos da sua vida excepcional, uma vida de luta contra o fascismo, um mundo da arte misógino e a depressão. Nascida em Portugal, um país sobre o qual o pai lhe disse que não era bom para as mulheres, Rego usou as suas imagens poderosas como uma arma contra a ditadura antes de se estabelecer em Londres, onde continuou a abordar questões sobre a situação da mulher como o direito ao aborto. Mas acima de tudo, as suas pinturas são um vislumbre críptico sobre um mundo íntimo de tragédia pessoal, fantasias perversas e verdades contrangedoras. Nick Willing combina um grande arquivo de filmes caseiros e fotografias de família com entrevistas que percorrem 60 anos de vida e imagens de Rego a trabalhar no seu estúdio. E o resultado é um poderoso retrato pessoal da vida e obra de uma artista cujo legado vai sobreviver ao tempo, ilustrado visualmente em pastel, carvão e tinta a óleo."

(Na contracapa do DVD )
                                                                                                                                                               

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Última leitura de 2016


Este ano li muito pouco.
Parece que cada  ano em que faço planos para ler mais, ainda leio menos.
Não sei bem quantos livros li, mas foram poucos.

Paula Rego por Paula Rego foi o último. Acabei-o ontem.
Para quem tem alguma curiosidade sobre a artista, aqui fica a sugestão.
É um livro fácil de ler (são entrevistas feitas por Anabela Mota Ribeiro, em tempos diferentes) e fiquei a conhecer um pouco mais sobre a vida e o percurso artístico de uma figura com quem simpatizo.

                                                                                 
 
 
"Com a naturalidade de quem obtém o privilégio de assistir invisível a uma conversa particular, acedemos com estas conversas ao conhecimento desse inevitável quotidiano que é o obscuro processo de trabalho da artista, a sua ambição de « fazer uma coisa que não consegue fazer», de pintar «aquilo que dói, magoa», [...]. Estes diálogos não iluminam « o quarto escuro» em que a artista confessa estar «desde os três anos », mas ajudam-nos a não tropeçar em ideias feitas, a fugir das convenções de interpretação estereotipadas, a experimentar o sobressalto  que a obra de Paula Rego sempre origina na nossa própria inquietação, a ver dentro de nós no escuro da sua obra."
 
João Fernandes
(Na contracapa do livro)
 

sexta-feira, 10 de maio de 2013

A asa esquerda do anjo


Foi o segundo livro que li de Lya Luft.
Conta a vida com desencanto, através da história de Gisela .
Gisela relata a história da família, que é dominada pela avó alemã, uma mulher autoritária e fria.
As mortes, os segredos, a dura disciplina imposta pela matriarca, as críticas constantes à sua maneira de ser... tudo isto a influencia profundamente.
Ao longo da vida, Gisela vai sentir-se sempre deslocada, como se não pertencesse a lado nenhum. É um sentimento que a habita desde criança e nunca vai abandoná-la.

"Este segundo romance de Lya Luft revela como o orgulho, a hipocrisia e o ressentimento são componentes fatais do universo familiar e social - um tema comum em toda a sua obra, que projecta sempre uma luz sobre os recantos mais obscuros da alma humana." ( retirado da contracapa do livro)

                                                                         
 
 
"Nenhum deles, excepto talvez a minha mãe, suspeitava da extensão da minha dor, e do meu medo de nunca vir a pertencer a nada ou a ninguém." - pág.25
 
"A minha avó fala em alemão, como sempre, e as suas palavras guturais caem sobre a minha alegria, fazem ruir o meu castelo, destroem o momento feliz." - pág.50
 
"Matei o que amava porque o quis reter comigo e não deixaram." - pág.54
 
"À noite, insone por causa da solidão e de tantas recordações, escutando os rumores da casa, eu meditava sobre a minha vida.
Uma vida sem interesse: já estava a envelhecer. Tormentos e exílio na infância.(...) Onde era o meu lugar?" - pág.100
 
 
Retirado de: a asa esquerda do anjo, Lya Luft, Pergaminho
 
                                                                                          
                                                                                
 
Ajeitando-se
Paula Rego
 
 
Por várias vezes, durante a leitura da história, me lembrei das pinturas da  Paula Rego.
 
                                                                                      

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Histórias Fantásticas



Paula Rego e Adriana Molder

A Dama Pé-de-Cabra







Adriana Molder
( Retirado do folheto da Exposição)


Paula Rego
( Retirado do folheto da exposição)



"Então ouviu nos ares uma voz vibrada que cantava muito entoado. Era a voz da terrível Dama Pé-de-Cabra

Cavalga meu cavaleiro,
No alentado corredor;
Vai salvar o bom senhor;
Vai quebrar seu cativeiro.

Pardalo não comerás
Nem cevada nem aveia,
Não terás jantar nem ceia,
Rijo e leve voltarás.

Nem açoite, nem espora
Requer ele, oh cavaleiro!
Corre, corre bem ligeiro,
Noite e dia, a toda a hora.

Freio ou sela não lhe tires,
Não lhe fales, não o ferres,
Na carreira não te aterres,
Para trás nunca te vires.

Upa! firme! - avante, avante!
Breve, breve, a bom correr!
Um minuto não perder,
Bem que o galo ainda não cante."


Retirado do conto A Dama Pé-de-Cabra
Romance de Um Jogral
Séc.XI



A exposição está patente ao público até 28 de Outubro de 2012