domingo, 4 de maio de 2014

Para o dia da mãe


Para sempre


Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade
 
Quando eu era miúda, sabia este poema de cor. A imagem que acompanhava o poema, creio que num livro da escola primária ou do ciclo, desenhei-a num caderno de poemas que ia coleccionando e que anda por aí, algures.
Copiava muitos poemas e desenhos dos livros de que gostava.
                                                                               
                                                                
                                                              
   Postais da Serra:
     Teixeira ( a terra da minha mãe) e aldeias próximas   
                             




 
Fotos de Rita Vaz
 
 
Flores do "jardim" da minha mãe ( na varanda...)
 


 
 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Marcadores - XLVI


Estes dois chegaram hoje à colecção

                                                                            
 
Oferecido por uma amiga

 
Comprado no Continente
 
 

sábado, 26 de abril de 2014

Ouvindo...


Amália Rodrigues
e
Lila Downs

Bom sábado!
                                                                                 
 
 
 
                                                                                                                                                             

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Dia da Liberdade


[...]
E a promessa cumpriu-se
nessa manhã de Abril
ainda sem computadores
nem novelas do Brasil
(...)
Foi então pegar no cravo
que estava ali a espreitar
e foi pô-lo na espingarda
que trazia um militar
(...)
E o cravo desta história
que aqui se conta rimada
foi símbolo da festa
nascida de madrugada
(...)
Era uma vez um cravo
numa história sem idade
e eu ao lembrá-lo em verso
escrevo sempre Liberdade


Retirado de Era uma vez um Cravo, José Jorge Letria com ilustrações de André Letria
Edição da Câmara Municipal de Lisboa

                                                                               


                                                                                     
 
Soldados com cravos nas espingardas
Diogo
 
 

Onde pára a Liberdade?...


Liberdade...
Liberdade é acreditar em quem nos governa
Liberdade é ter sonhos possíveis de realizar, num país onde os cidadãos contam
Liberdade é ter um futuro no país que amamos

Onde pára a Liberdade?


 
 
                       

domingo, 20 de abril de 2014

Serenidade


 Amanhecer em Toral de Los Gusmanes

Meu coração angustiado cessa
de me doer, quando no alto imenso
o chilreio dos pássaros começa
a despertar a minha fé serena.

E cruzando o azul, meus olhos sentem
que essas aves cantando manifestam
um recôndito amor, fértil, secreto,
que até elas acorre lentamente.

A madrugada banha a minha face
roseada com gotas do orvalho
caído como júbilo do céu.

De mãos erguidas ou em cruz no peito
acompanho feliz esses gorjeios,
pois também eles são a voz de Deus.


António Salvado, Na Sua Mão Direita, pág.9
Sirgo

                                                                                 
 
Jesus, O Mestre

Última Ceia

 
Crucificação de Cristo

 
Ressurreição
 
 

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Na mão de Deus


Na mão de Deus, na sua mão direita,
Descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da ilusão
Desci a passo e passo a escada estreita.

Como as flores mortais, com que se enfeita
A ignorância infantil, despôjo vão,
Depus do Ideal e da Paixão
A forma transitória e imperfeita.

Como criança em lôbrega jornada,
Que a mãi leva no colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,

Selvas, mares, areias do deserto
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na mão de Deus eternamente!


Antero de Quental, Cem Melhores Poesias Religiosas da Língua Portuguesa, pág.64
Livraria Editora Guimarães